Zerão não terá luz tão cedo
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Ele ainda é um dos principais pontos de turismo e lazer de Londrina, mas não seria estranho se fosse apelidado ''Zerão à esquerda''. A sensação de abandono pelo poder público é unânime entre os usuários e levou um grupo a pendurar faixas junto à pista de caminhada pedindo ''iluminação, por favor''.
E nem precisava ser um favor, já que todo cidadão paga mensalmente uma taxa de iluminação pública, justamente para a manutenção do serviço. No Zerão, entretanto, falta luz há quatro meses. A fiação de toda a pista externa foi roubada no ano passado e desde então não houve reposição. Só os mais corajosos, vândalos ou usuários de drogas ainda passam pelo local à noite.
Dona Vera, que há 10 anos vende caldo-de-cana e outras guloseimas na área de lazer, admite que a ausência de iluminação espanta a freguesia quando a noite cai. Diz que perdeu a esperança de ver a fiação trocada e sugere: ''A solução seria ter uma Guarda Municipal para proteger os locais públicos. Outra coisa: pior do que quem rouba, é quem compra o produto roubado'', assinala.
Funcionários de uma academia esportiva localizada defronte ao Zerão contam que, em uma noite de novembro, viram dois homens em atitude suspeita na pista de caminhada. ''Chamei a polícia, mas eles demoraram e não acharam mais ninguém. Nem chegaram a descer para a parte mais escura do parque'', relatou um deles, que constatou logo depois que a fiação fora furtada.
O coordenador da academia, Edgar Vianna, está preparando um abaixo-assinado para cobrar iluminação. ''Enquanto a academia fica aberta, até umas 22h30, ainda não é tão perigoso. Depois o Zerão vira um deserto e, como tem muita sombra, põe em risco os desavisados que passam por aqui'', afirma.
Para quem acha que quatro meses sem luz é muito tempo, saiba desta: a licitação para compra de fiação do ano passado foi cancelada e uma nova terá que ser feita. ''Já encaminhamos o pedido para o secretário, mas o processo todo pode demorar de 90 a 120 dias'', adianta o gerente de iluminação pública da Secretaria Municipal de Obras, Antonio Luiz Sokoloski. Segundo ele, devido à greve dos servidores o vencedor da licitação não recebeu o pedido no prazo acordado e acabou declinando ao serviço.
A secretaria não recebe fios de cobre há mais de um ano e o resto do estoque foi consumido na área do Lago Igapó 2, outro alvo de crimes. O gerente pondera que, quando a prefeitura tiver o material em mãos, será necessário adotar um outro sistema - mais caro e trabalhoso - para dificultar furtos. ''Teremos que cavar valas mais profundas para enterrar a fiação. Fizemos isso no Jardim Santiago 2 (Zona Oeste) e os ladrões quebraram uma picareta e não conseguiram furtar'', menciona.
No final de 2006, a prefeitura contratou uma empresa de vigilância para proteger 226 locais públicos de Londrina. Questionado sobre a situação do Zerão, o diretor de gestão de bens municipais, Pedro Afonso Figueiredo, alegou que a área não foi incluída ''porque essa segurança, num primeiro momento, é patrimonial''. ''No Zerão não tem bens que podem ser roubados como computador, veículos. Só a iluminação. E poste tem na cidade toda, não tem como fazer a vigilância.''


