Zeladora não tem luva de borracha
Ela não quer se identificar. Tem medo de perder o emprego de zeladora no cemitério de Santa Cândida. A mulher tem 54 anos, mas o diabetes e problemas de coração avançaram na aparência e na resistência física. Sem nenhum material de proteção contra germes, I.S. cuida de 47 túmulos do cemitério para ajudar no sustento da casa.
Folha - Há quanto tempo a senhora trabalha no cemitério?
Zeladora - Há um ano. Minha mãe e minha irmã já trabalharam como zeladoras. Meu marido é deficiente, recebe um salário mínimo e meio e a gente tem que sobreviver. Não dá para não passar fome.
Folha - A senhora usa algum material para se proteger quando mexe nos túmulos?
Zeladora - Era para comprar luvas de borracha, mas eu não tenho dinheiro nem para comprar os remédios. Se Deus quiser, a gente não pega doença nenhuma. (D.V.)

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