Lucilia Okamura
De Londrina
Um possível caso de racismo em Londrina já garantiu uma vitória em primeira instância à vítima. A zeladora Cleusa Mota dos Santos, 44 anos, ganhou, na Justiça, ação indenizatória por danos morais, contra o professor Edno Mariano dos Santos. Ele é diretor de uma escola onde Cleusa trabalhou e teria sido humilhada.
Cleusa era auxiliar de serviços gerais no Colégio Estadual Adélia Dionísia Barbosa, no Conjunto Parigot de Souza (zona norte). Ela contou que no segundo semestre de 1996, Santos passou a agredi-la com palavras ofensivas. ‘‘Ele sempre me chamava de nega fedida e suja’’, disse. ‘‘Ele me xingava de galinha, vagabunda e outras palavras obscenas que eu tenho vergonha de falar perto de vocês’’.
Em novembro Cleusa foi mandada embora e disse que o responsável foi o diretor. ‘‘Ele me humilhou e saí da escola chorando’’, afirmou. Ela contou que resolveu ingressar na Justiça porque nunca havia sido tão humilhada como daquela forma. ‘‘Eu nasci de mãe negra, mas o meu sangue é igual ao dele’’, ressaltou.
A sentença, dada pelo juiz da 2ª Vara Cível, Luis Sérgio Swiech, foi proferida no dia 21 de maio. Ele julgou parcialmente procedente o pedido de indenização - ao invés dos R$ 20 mil solicitados, ele condenou Santos a pagar R$ 7 mil.
Na sentença, o juiz relatou que, ‘‘apesar da aparente divergência havida nos depoimentos prestados em juízo pelas testemunhas arroladas pela autora e aquelas arroladas pelo réu, após presidir toda a instrução processual, estou convencido que o réu efetivamente proferiu as palavras ofensivas à autora’’.
Cleusa disse que, ao saber da sentença judicial, ficou surpresa. ‘‘Eu nem esperava mais’’. Ela afirmou não estar arrependida da atitute que tomou e acha que todas as pessoas deveriam buscar seus direitos. ‘‘Talvez daí o preconceito diminua’’. A zeladora informou que não saberia o que fazer se recebesse o dinheiro da indenização. ‘‘Nem pensei nisso ainda. O que mais queria agora era arranjar um emprego’’.
O advogado de Santos, Marcelo Leal, informou que já ingressou com recurso junto ao Tribunal de Justiça, alegando que três testemunhas de defesa de Cleusa eram suspeitas por serem ‘‘inimigas declaradas’’ do seu cliente. Ele acredita que o julgamento deverá sair até o início do ano que vem.
Sobre Santos, o advogado afirma que ele não ofendeu Cleusa. ‘‘Ele jamais teve qualquer atitude racista’’, afirmou. Segundo Leal, Cleusa foi mandada embora pelo Conselho Escolar do Colégio, que a considerou insuficiente, e não pelo seu cliente. ‘‘E ela entrou com esta ação maliciosa’’, ressaltou.Juiz da 2ª Vara Cível de Londrina condenou diretor de escola a pagar indenização de R$ 7 mil
Dorico da SilvaHUMILHAÇÃOA zeladora Cleusa Mota dos Santos, 44 anos: ‘‘Ele (o diretor) sempre me chamava de nega fedida e suja. Eu nasci de mãe negra, mas o meu sangue é igual ao dele’’

mockup