Zeladora devolve dinheiro e ganha prêmio pela honestidade
A zeladora aposentada Delvair Dias de Camargo se considera uma mulher de sorte. Hoje, aos 55 anos, aposentada pelo Banestado, ela lembra como a ousadia dos assaltantes mudou a vida dela. Para melhor.
Dezoito meses antes do assalto, Delvair era uma funcionária terceirizada e conta que foi à mesa de uma gerente pedir ''uma força'' para estudar e prestar um concurso no banco. ''Ela me disse que se essa era a minha intenção, era melhor eu desistir. Quando saí de perto uma voz me disse: não perca a esperança e continue trabalhando''.
No dia do assalto, Delvair saiu da agência para receber o salário mínimo em outro banco e só retornou ao Banestado às 6 horas da manhã seguinte. Ao limpar o segundo banheiro, percebeu que a privada estava entupida e precisou enfiar a mão ao vaso, já que os funcionários tinham o costume de jogar copos na latrina.
O susto foi grande quando Delvair encontrou dois pacotes de dinheiro escondidos na privada. Preocupada, procurou dois gerentes que haviam pernoitado na agência à espera de notícias sobre os reféns que seguiam no ônibus. A zeladora aposentada lembra que não faltaram zombarias por ter devolvido o dinheiro. ''Alguns me diziam que eu era burra, retardada, que não ia ganhar nenhuma recompensa''.
Dias depois, um gerente de Curitiba veio a Londrina e anunciou que Delvair seria contratada pelo banco, como prêmio pelo ato de honestidade. O primeiro salário foi igual ao acerto por quatro anos de serviço na empresa onde trabalhava. ''Foi o plano que Deus tinha para minha vida'', conta, em meio a uma gargalhada. Delvair e Moreno nunca se conheceram, mas, hoje, por ironia do destino, frequentam a mesma Igreja. (L.R.)





