Zeladora denuncia perseguição política
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quinta-feira, 22 de outubro de 1998
Lucinéia Parra 
A zeladora Deolina Celini, 48 anos, acusa a direção da Creche Coração de Menino, em Doutor Camargo (32 quilômetros de Maringá) de impedi-la de trabalhar desde a eleição de 4 de outubro. Ela afirma que está sofrendo retaliação do prefeito Valter Gonçalves Bessani (PFL) por ter apoiado e trabalhado na campanha do candidato a deputado estadual, Paulo Nochi (PMDB), ex-prefeito do município.
Deolina afirma que, na madrugada do dia 4, foi agredida pelo chefe de serviços gerais da prefeitura Laércio Scarpini quando retornava para a casa. Eu estava andando, quando ele (Scarpini) saiu de trás de uma árvore, começou a me xingar e depois me deu um tapa no rosto, disse. Passada a eleição, a zeladora disse que foi impedida de assinar o livro de frequência na creche Coração de Menino, onde trabalha há cerca de dois meses. A coordenadora da creche disse que tinha recebido ordens para não deixar eu assinar o ponto.
Desde o dia 5 de outubro, Deolina fica do lado de fora da creche das 8 às 17 horas. A esposa do prefeito disse para a coordenadora que não é para deixar eu assinar o ponto durante 15 dias para me mandar embora sem os meus direitos, denunciou. Deolina é funcionária pública concursada há 16 anos. Ela afirmou ontem à Folha que, em audiência com o prefeito no início da semana, pediu para ele dispensá-la do trabalho, mas o prefeito não aceitou a proposta. Ele não quer fazer o meu acerto e ontem (anteontem) fiquei sabendo que fui remanejada para fazer a limpeza do cemitério. Só que o chefe do serviço que vou fazer é o Scarpini e eu tenho medo que ele venha a me agredir novamente.
Ontem, quando Deolina chegou na porta da creche os funcionários a impediram de entrar. A coordenadora da creche, Ivani Farias, chegou minutos depois e também não deixou a zeladora entrar. Ivani não permitiu sequer a entrada da reportagem da Folha.
O prefeito Valter Gonçalves Bessani negou as acusações e disse que a zeladora está sendo usada pelo adversário político dele. Ela é uma funcionária e tem que ir trabalhar onde a gente quiser, alegou. Segundo ele, Deolina foi remanejada de serviço porque costuma beber e chegou embriagada na creche. Uma pessoa bêbada não pode trabalhar em creche, onde há muitas crianças, afirmou.
Laércio Scarpini, que estava no gabinete do prefeito, também refutou a acusação da zeladora. Segundo ele, foi Deolina quem começou a agredi-lo verbalmente. Ela começou a falar alto, a xingar até a minha mãe e veio para cima de mim. Eu só empurrei ela para me defender e agora ela vem falando que bati nela. Ele afirmou que Deolina foi remanejada da creche porque faltou por três dias após a eleição.


