Zelador diz ter pego doença contagiosa no lixo do HC
Muitos funcionários de hospitais que atuam na coleta de lixo hospitalar acabam sendo infectados devido aos riscos a que são submetidos no trabalho, afirma Roseli Isidoro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Ensino de 3º Grau Público de Curitiba, que inclui funcionários do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. A maioria das vítimas não faz denúncia com medo de represálias, segundo Roseli, e os hospitais não divulgam dados referentes à contaminação de funcionários.
O zelador Antonio Bernardo, 33 anos, é um dos raros a denunciar. Ele garante que contraiu tuberculose do tipo B no HC, onde manuseia lixo hospitalar há 5 anos e meio. Como outros três colegas, Antonio feriu o dedo com agulhas por duas vezes (uma em 1994 e outra em 1996), quando recolhia os sacos de lixo hospitalar, e denunciou o acidente ao sindicato. A bateria de exames feita na época não confirmou a contaminação.
Kraw PenasRoseli Isidoro: maioria das vítimas não faz denúncia com medo de represálias e hospitais não divulgam número de funcionários vítimas de contaminação com o lixo hospitalar
Logo que entrou no HC, o zelador diz ter trabalhado durante um mês sem máscara. Ainda hoje a máscara empregada é própria para operários de indústrias de carvão e inadequada para a coleta de lixo hospitalar. Ainda não me acostumei com o cheiro insuportável e tenho ânsia, diz. A luva também é muito fina e quase não protege.
Segundo ele, durante mais de um ano o HC mantinha apenas um contêiner para depósito de lixo hospitalar. Os outros 12 que deterioraram foram retirados de uso sem substituição. Antonio conta que feriu o dedo nessa época. Quando chegavam os caminhões de coleta da prefeitura, ele e outros cinco zeladores tinham de pegar com as mãos os sacos de lixo armazenados no chão. Há dois anos, o HC renovou os 13 contêineres e os coletores passaram a usar luvas, botas, avental e óculos. As condições melhoraram, mas o risco de contaminação ainda existe, garante o zelador, que recebe R$ 272,00 mensais por seis horas de trabalho diário.
O HC é o maior hospital de Curitiba e responsável pelo maior volume de lixo hospitalar produzido na cidade. Mesmo assim não faz plano de gerenciamento de lixo. Não é por falta de vontade. Isso depende de recursos e de treinamento de pessoal, diz o diretor de Administração do HC, José Clóvis Borges. Ele afirma que adoção do plano depende da Prefeitura de Curitiba. Apesar de sermos o maior hospital, só agora eles (a prefeitura) nos incluíram no projeto, informa o diretor do HC. Nós atendemos conforme o interesse dos hospitais, devolve o gerente do Departamento de Limpeza da prefeitura, Luiz Celso da Silva. (E.E.S.)





