Curitiba

Albari RosaSantos: ‘‘Desespero de não ter onde morar é grande que prefiro matar todos’’O zelador Edivando Soares dos Santos, que teve sua casa destruída anteontem por funcionários da Copel, promete matar a mulher e os filhos se não for transferido para outra residência. Santos, que vive ao lado de uma torre de alta tensão no município de Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), diz que não tem para onde levar seus seis filhos e por isso pensa até mesmo em matá-los. ‘‘O desespero de não ter onde morar é tão grande que prefiro matar todo mundo e ficar na prisão para o resto da vida’’, desabafa.
Santos vivia há quase dois anos em um terreno invadido ao lado da rede de alta tensão da Copel, local considerado de alto risco pela possibilidade de descargas elétricas e rompimento dos cabos de energia. Segundo os vizinhos, um oficial de Justiça teria ido até a casa do zelador, na semana passada, para entregar uma ordem de despejo contra a família. Como o oficial não encontrou ninguém, os funcionários da Copel teriam feito a demolição da casa.
‘‘Eles quebraram tudo o que tínhamos, inclusive um armário que ainda não tínhamos nem sequer terminado de pagar’’, diz a esposa do zelador, Maria Aparecida dos Santos. Desde que a casa foi destruída, o casal e os seis filhos, com idades entre 15 anos e dez meses, estão morando em uma barraca improvisada com lonas pretas, em um dos cantos do terreno. ‘‘Só sobraram algumas roupas e panelas’’, diz Maria Aparecida.
O engenheiro da Copel Marcos Vinícius Ramos da Silva afirma que a área ocupada pela família foi desapropriada pela companhia em 1977 e, desde então, qualquer construção no local ficou proibida. Segundo o engenheiro, todas as casas construídas na área considerada como ‘‘faixa de segurança máxima’’ serão demolidas. Ele não soube informar o número exato de famílias que terão a ordem de despejo executada.
Segundo o engenheiro, a única possibilidade de impedir que as famílias fiquem sem ter onde morar é firmar parcerias entre a prefeitura e a Cohab. ‘‘A empresa não tem qualquer responsabilidade legal sobre os moradores de áreas invadidas’’, afirma.

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