Zaninelli começou com charrete e ainda transporta gente
Paulo Ubiratan
De Londrina
Taxista de profissão, Nelson Zaninelli, 70 anos, viveu mais a vida dentro de uma charrete e depois em um carro de aluguel do que propriamente na sua casa. Ele mesmo afirma esta versão, pois desde os 13 anos trabalha no ramo. Primeiramente dirigiu charretes e, depois, com sacrifício conseguiu comprar um automóvel que tranformou em táxis.
Entre tantas outras marcas, fui também proprietário de um Morris (carro pequeno inglês muito em moda nos anos 50). O Morris era conhecido como biriba e criou muita confusão entre os taxistas. Nós cobravamos 40 centavos a corrida, o mesmo preço das charretes. Os companheiros, com carros grande chiaram muito, achavam que estávamos fazendo concorrência desleal.
O taxista chegou em Londrina no final de 1936, quando tinha apenas sete anos. A família, vinda do interior de São Paulo, foi morar em uma chácara de dois alqueires onde hoje é a Rua Capiberibe, na Vila Nova, na região central da cidade. Me lembro como se fosse hoje quando chegamos de trem em Londrina. A primeira noite foi terrível, pois caiu uma forte chuva e tivemos que dormir em um paiol na Rua Araguaia, que era só mato. A chácara onde a família foi morar havia sido comprada de um tio que retornou para São Paulo.
O taxista diz que nunca gostou de estudar. Começou a trabalhar com a família plantando hortaliças e legumes. Além de plantar, com apenas 10 anos era o responsável por uma carroça e um cavalo, com os quais vendia a produção e fazia as entregas aos clientes fixos: hotéis, bares e restaurantes. Ele revela que foi nesta mesma época que sentiu gosto de dirigir charrete.
As charretes eram muito charmosas e serviam para carregar gente em qualquer tempo. Londrina não tinha ruas calçadas nem asfaltadas e nos dias de chuva virava um barro só. Automóvel, nem pensar. O barro era tanto que nem adiantava passar corrente nas rodas.
Zaninelli afirma que sente pouca saudade do passado e prefere viver os dias de hoje. Ele nem entende porque pensa assim. No passado eu era moço, cheio de vida e nem sei porque acho que viver agora é melhor. O taxista recorda que trabalhou muito e materialmente conseguiu pouca coisa na vida. Se fosse hoje, pelo tanto que trabalhou, ele seria um homem rico, conforme acredita.
Zaninelli recorda a segurança da cidade e os homens honestos como as poucas coisas boas do passado. No entanto, o que eu ganhava não dava nem para tomar um refrigerante. Mesmo dizendo que sofreu muito, ele afirma que por nada trocaria a sua profissão de taxista.





