Zairenses condenados serão expulsos
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 1997
Paulo Ubiratan 
O presidente Fernando Henrique Cardoso acatou o pedido da juíza da 2ª Vara Criminal, Lídia Maejima, para expulsar do Brasil os zairenses Luindula Mpaka e Matumona Nakanda. Os dois foram condenados por estelionato e estão cumprindo pena na Penitenciária Estadual de Londrina. A dupla foi presa pela Polícia Federal em 6 fevereiro de 1996, após descontarem ordens de crédito de passagens com os valores adulterados.
Luindula foi condenado a dois anos e oito meses porque foi quem adulterou os créditos. Matumona foi condenado a dois anos. Eles deixarão o País após cumprir as penas. O golpe foi aplicado contra a empresa Rio-Sul e lhes rendeu R$ 6 mil. Os dois foram detidos pela Polícia Federal quando tentavam embarcar para São Paulo (capital), no Terminal Rodoviário. Na ocasião, os zairenses afirmaram que vieram a Londrina cumprindo ordem do angolano Álvaro Eduardo Mankeli, residente em São Paulo. Ele está foragido. A dupla já havia praticado o mesmo golpe em São Paulo e Goiás.
No transcorrer do processo, a juíza negou os pedidos de liberdade sob fiança e também o pedido de liberdade provisória para os dois. O processo chegou a tramitar no Tribunal de Alçada, que também negou o pedido de habeas corpus para os réus.
O julgamento dos zairenses teve fatos incomuns na Justiça de Londrina. Lídia contou que, apesar de saber que Luindula e Matumona falavam português, foi obrigada a habilitar e juramentar um tradutor para ouvir os depoimentos dos réus, que falam francês. Para confundir a Justiça eles disseram que não entendiam o português e não podiam prestar depoimento. Já tínhamos começado a audiência e eu fui obrigada a convocar um tradutor. A sorte foi que o filho de um ex-juiz, que fala quatro línguas, estava naquele momento no Fórum, contou a juíza.
A defesa sustentou que os réus eram pessoas pobres e estavam no País como refugiados em situação de extrema miséria. Senti que o apelo da defesa não traduzia a verdade. Com sensibilidade de mulher, eu e minha assistente notamos que os dois africanos estavam muito bem vestidos para serem tão pobres. Calçavam bons sapatos e as meias combinavam com a cor da camisa de seda, possivelmente compradas em boutiques caras, presumiu a juíza. Os dois réus entraram no Brasil com passaportes de refugiados expedidos em Angola.


