Curitiba - Foi nos tempos de praticante, que surgiu o interesse da instrutora de Hatha Yoga, Nayana Bona Carvalho, de 23 anos, em se tornar professora. Ainda como aluna, ela se identificou com a terapia milenar da Índia pelo fato de trabalhar o corpo, o emocional e a mente de forma articulada. ''O bem-estar e a saúde que a yoga proporciona na vida das pessoas me incentivaram a ensinar esta técnica. A yoga é um momento de autoconhecimento para os alunos e também para mim'', justifica Nayana, que se formou no ano passado nas Faculdades Integradas Espíritas.
Depois de enfrentar dificuldades para conseguir emprego, hoje, Nayana dá aulas para turmas da terceira idade na Fundação de Ação Social, da Prefeitura de Curitiba. ''Tenho três turmas de 25 alunos, todos com mais 60 anos. Gosto de ensinar essa faixa etária e penso em trabalhar com gestantes também. Ainda dou aulas para dois casais como uma espécie de personal trainner'', conta. ''O nosso mercado são os espaços holísticos, spas, empresas e até academias. Ter um trabalho fixo na minha área é algo bem difícil. Tive sorte'', contextualiza a jovem, que planeja ter o seu próprio espaço no futuro.
Apesar de existir há mais de três décadas no Brasil, o instrutor de yoga ainda não é reconhecido como uma profissão. Mas isso não impediu que a prática se expandisse e, consequentemente, que cada vez mais pessoas se interessassem em perpetuar a técnica. ''Tudo que o professor vai repassar ele tem que vivenciar antes. É um trabalho que beneficia quem ensina e quem aprende. Eu recomendo'', disse Alina Vergopolan, de 22 anos, que em breve se forma como instrutora de Kundalini Yoga - linha mais dinâmica que possibilita efeitos mais rápidos e tem séries de exercícios já estipuladas.
Para Alina, a escolha pela Kundalini Yoga é uma forma de diversificar a proposta de trabalho. ''Acho que o mercado está começando a ficar saturado aqui em Curitiba. Tem muita oferta, até pela faculdade que funciona aqui. Mas penso em me qualificar mais e me especializar para ensinar crianças'', disse ela, que já ministra aulas para duas turmas. ''Quem conhece os benefícios valoriza a prática. Já senti que as pessoas que estão há mais tempo no ramo e têm fama encontram mais facilidade'', acrescenta, informando que o preço médio para participar de oito aulas mensais é de R$ 100,00.
O número de mulheres é bem superior ao de homens que investem e atuam nessa profissão, segundo o coordenador do curso sequencial em Yogaterapia das Faculdades Integradas Espírita, Carlos Alberto Tinoco. Além disso, a faixa etária varia dos 18 até 60 anos ou aposentadas, embora a procura maior pelo curso seja de pessoas jovens. ''Algumas dão aula de yoga fora de Curitiba, outras querem abrir espaços no interior, trabalham em empresas e até na rede pública'', informa Tinoco. ''Mas de um modo geral, toda profissão tem dificuldades e fazer faculdade deixou de ser garantia de emprego'', pondera.
Para ele, a maior dificuldade do mercado é a falta de informação da sociedade, que não sabe da existência deste profissonal formado e qualificado para dar as aulas. ''A perspectiva melhor para se abrir novos espaços é no interior do Estado, que tem um potencial enorme para o ramo. Observo que à medida que a medicina sugere a yoga como terapia auxiliar, o mercado se amplia. A prática se populariza no Ocidente pelo seu poder intrínseco'', disse Tinoco, que foi dono de academia de yoga, em Manaus, e lá teve experiências com a prática em hospitais psquiátricos e na cura de enfermidades, como depressão grave.

mockup