Talvez por estar longe das principais regiões produtoras de matérias primas, Londrina se caracterizou, ao longo do tempo, mais como um centro consumidor de drogas do que como podutor e exportador delas para outros centros do País ou do exterior. Segundo as autoridades policiais, a maior parte da maconha consumida aqui vem de Pernambuco, Bahia e outros estados nordestinos; assim como o grosso da cocaína vem da Bolívia e da Colômbia, e o novato crack - pedra de cocaína para fumar em cachimbo - chega de São Paulo.
No entanto, alguns produtores e traficantes de drogas - inclusive com ligações com o narcotráfico internacional - desafiaram esta lógica e atuaram na Cidade por algum tempo, até serem descobertos pela Polícia Federal (PF). Os dois principais chefes de quadrilhas ligadas às drogas desbaratadas na história de Londrina foram Gilberto Yanes e Benedito Carlos Clausen, apelidado de Dito Quati.
A conexão internacional de narcotráfico chefiada por Yanes foi descoberta em fevereiro de 1985, a partir de um acidente aéreo perto de Santa Cruz de La Sierra (Bolívia). No acidente morreram o empresário londrinense Gilberto Yanes e seu piloto Rainer dos Reis Ramos. O avião estava carregado de éter e outros produtos utilizados no refino de cocaína. Em consequência, a PF - em conjunto com a Polícia Militar e a Receita Federal - desencadeou uma operação investigativa em várias empresas do grupo Yanes.
Foi encontrada farta documentação que comprovava a ligação de Yanes com o tráfico internacional de drogas e com o ‘mercado negro’ do dólar, moeda norte-americana. Na época, a operação foi considerada uma das maiores ações da Polícia Federal contra o tráfico de drogas no País.
Mais de 11 anos depois de descoberta a canexão, em agosto do ano passado a Justiça Federal julgou e condenou oito pessoas envolvidas nela, inclusive a viúva de Gilberto, Maria do Carmo Melo Yanes. Todos foram enquadrados na Lei de Tóxicos. A viúva do chefe do contrabando foi condenada a 12 anos de prisão, mesma pena definida para outros cinco membros da conexão internacional.
Já Dito Quati - ex-prefeito de Platina (SP) - comandava uma quadrilha que refinava a cocaína em um sítio no distrito de Lerroville (zona sul). Lá a Polícia Federal fez a maior apreensão de cocaína da história do Paraná, em julho de 1995: 170 kg, sendo 40 kg ainda em forma de pasta base. A droga e os produtos usados para o refino, como acetona e éter, estavam num laboratório improvisado dentro de um antigo barracão agrícola.
Juntamente com Dito Quati foram presos o seu filho Gilberto Jean Lopes Clausen, a esposa Sheila Lopes Clausen, a nora Lúcia Helena Bressani, o genro Francisco Aurélio da Silva, e o empregado Renato Mendes dos Santos. Todos foram condenados pelo Tribunal de Alçada, em dezembro último, a penas que variam de 12 anos de prisão, para Dito Quati, a seis anos de prisão para Lúcia Helena Bressani. Eles foram condenados por formação de quadrilha e enquadrados na Lei de Tóxicos por refino e tráfico de substância entorpecente.
(Osmani Costa)

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