Yanes e Dito Quati: o rastro do tráfico na Cidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de março de 1997
Da Redação 
Talvez por estar longe das principais regiões produtoras de matérias primas, Londrina se caracterizou, ao longo do tempo, mais como um centro consumidor de drogas do que como podutor e exportador delas para outros centros do País ou do exterior. Segundo as autoridades policiais, a maior parte da maconha consumida aqui vem de Pernambuco, Bahia e outros estados nordestinos; assim como o grosso da cocaína vem da Bolívia e da Colômbia, e o novato crack - pedra de cocaína para fumar em cachimbo - chega de São Paulo.
No entanto, alguns produtores e traficantes de drogas - inclusive com ligações com o narcotráfico internacional - desafiaram esta lógica e atuaram na Cidade por algum tempo, até serem descobertos pela Polícia Federal (PF). Os dois principais chefes de quadrilhas ligadas às drogas desbaratadas na história de Londrina foram Gilberto Yanes e Benedito Carlos Clausen, apelidado de Dito Quati.
A conexão internacional de narcotráfico chefiada por Yanes foi descoberta em fevereiro de 1985, a partir de um acidente aéreo perto de Santa Cruz de La Sierra (Bolívia). No acidente morreram o empresário londrinense Gilberto Yanes e seu piloto Rainer dos Reis Ramos. O avião estava carregado de éter e outros produtos utilizados no refino de cocaína. Em consequência, a PF - em conjunto com a Polícia Militar e a Receita Federal - desencadeou uma operação investigativa em várias empresas do grupo Yanes.
Foi encontrada farta documentação que comprovava a ligação de Yanes com o tráfico internacional de drogas e com o mercado negro do dólar, moeda norte-americana. Na época, a operação foi considerada uma das maiores ações da Polícia Federal contra o tráfico de drogas no País.
Mais de 11 anos depois de descoberta a canexão, em agosto do ano passado a Justiça Federal julgou e condenou oito pessoas envolvidas nela, inclusive a viúva de Gilberto, Maria do Carmo Melo Yanes. Todos foram enquadrados na Lei de Tóxicos. A viúva do chefe do contrabando foi condenada a 12 anos de prisão, mesma pena definida para outros cinco membros da conexão internacional.
Já Dito Quati - ex-prefeito de Platina (SP) - comandava uma quadrilha que refinava a cocaína em um sítio no distrito de Lerroville (zona sul). Lá a Polícia Federal fez a maior apreensão de cocaína da história do Paraná, em julho de 1995: 170 kg, sendo 40 kg ainda em forma de pasta base. A droga e os produtos usados para o refino, como acetona e éter, estavam num laboratório improvisado dentro de um antigo barracão agrícola.
Juntamente com Dito Quati foram presos o seu filho Gilberto Jean Lopes Clausen, a esposa Sheila Lopes Clausen, a nora Lúcia Helena Bressani, o genro Francisco Aurélio da Silva, e o empregado Renato Mendes dos Santos. Todos foram condenados pelo Tribunal de Alçada, em dezembro último, a penas que variam de 12 anos de prisão, para Dito Quati, a seis anos de prisão para Lúcia Helena Bressani. Eles foram condenados por formação de quadrilha e enquadrados na Lei de Tóxicos por refino e tráfico de substância entorpecente.
(Osmani Costa)


