Xeque-mate nas notas baixas
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Cambé - Concentração, raciocínio lógico, socialização, disciplina e melhora das notas escolares, principalmente na disciplina de matemática, são alguns dos resultados que a aprendizagem de xadrez traz às crianças. Em Cambé (Região Metropolitana de Londrina) é desenvolvido desde 2009 um projeto para ensino do jogo, que atualmente beneficia mil alunos do 3º ao 5º anos do Ensino Fundamental de 12 escolas. Na manhã de ontem, 150 crianças participaram do 8º Festival de Xadrez das Escolas Municipais. A atividade não busca a competição e sim o entrosamento entre as crianças. Ao final dos jogos, todos ganharam medalhas pela participação. Uma nova etapa, com outros 150 alunos, deve ser realizado na próxima sexta-feira.
Beatriz Soares, de 10 anos, está no 4º ano e diz que ficou ansiosa quando soube que participaria do projeto de xadrez. "Gosto de dar xeque-mate, não é difícil. Gostei tanto de aprender que em casa eu jogo no computador. Depois que comecei minhas notas melhoraram e acho que ficou mais fácil entender as aulas", conta.
Tainara Alves, de 11 anos e também aluna do 4º ano, diz que o movimento que mais gostou de aprender foi com os peões. "Acho que ficou mais fácil aprender matemática", diz.
Quem convive diariamente com as crianças confirma as mudanças de comportamento, como a dona de casa Gisele Cristina de Souza. Seu filho José Henrique, de 9 anos, é aluno do 4º ano e, segundo ela, melhorou o desempenho escolar depois que começou participar do projeto. "Principalmente em matemática percebemos diferença, mas nas outras disciplinas também houve avanços. Ele também está mais tranquilo, consegue se concentrar para fazer as tarefas e pesquisa na internet. Até o jeito de lidar com o irmãozinho mudou", destaca.
A diretora da Escola Municipal Profª Izaura Ferreira Neves, Edilene Dalto, diz que desde 2010 os alunos participam do projeto e as vantagens podem ser percebidas por todos. "Melhora muito o desempenho em matemática, mas as crianças também ficam mais tranquilas, aquelas que têm hiperatividade conseguem se concentrar e os pais veem o reflexo nas notas. Muitos gostam tanto do xadrez que passam a jogar em casa, no computador."
Professora de Educação Física na Escola Municipal Professora Lourdes Gobi Rodrigues, Patrícia Aparecida Oliveira Neri ressalta que o xadrez também promove mudança no comportamento dos alunos até nas suas aulas. "Eles ficam mais disciplinados nas regras dos outros jogos. Nos dias que não podemos fazer atividades na quadra, eles pedem para jogar xadrez e ensinam as crianças que não participam do projeto", conta.
Edina P. de Oliveira é uma das duas professoras de xadrez do projeto. Segundo ela, com três meses de aula os alunos já estão aptos a jogarem sem auxílio do professor. "O xadrez é um jogo em que você sempre está aprendendo, mas com esse tempo eles conseguem fazer os movimentos básicos e irem se desenvolvendo, cada um no seu ritmo. Os conceitos de matemática estão embutidos no jogo, como horizontal, vertical e diagonal, por exemplo", afirma.
Resultados
Luciano Cardoso, coordenador do projeto, aponta que os resultados trazidos pelo xadrez são palpáveis e comprovados através de testes. "Já foi feito uma pesquisa com 40 alunos, em que metade aprendeu xadrez e a outra metade, não. No início do ano foram aplicados testes psicológicos em toda a turma. No final do ano foram aplicados novamente os mesmos testes. Foi notado uma melhora tanto nas notas quanto no teste dos alunos que aprenderam xadrez."
De acordo com Luciano, as aulas são ministradas no contraturno escolar, uma vez por semana, durante uma hora. O projeto é uma parceria das secretarias de Educação e de Esporte e a intenção é estendê-lo para as 17 escolas municipais.
"O festival é uma oportunidade das crianças jogarem com de outras escolas. Queremos ampliar o projeto, mas para isso precisamos de recursos e também de professores", justifica Fábio Fernandes, secretário municipal de Esportes.


