Xadrez japonês integra culturas e gerações
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domingo, 26 de setembro de 2010
Fernanda Carreira<br> Reportagem Local 
O Campeonato Paranaense de Shogui movimentou a Aliança Cultural Brasil-Japão ontem. Cerca de 30 participantes disputaram os três primeiros lugares do campeonato. O Shogui é uma versão japonesa do xadrez, muito disseminada no japão. O objetivo do jogo é o mesmo do xadrez ocidental, mas mudam-se as peças e o tabuleiro. Vence o jogo quem capturar o rei adversário.
De acordo com Shigueki Inamura, técnico em informática e participante do campeonato, o esporte que aqui é encarado como entretenimento, para os japoneses, é uma espécie de profissão. ''Eles levam tão a sério o esporte lá que os jogadores chegam a receber o quarto maior salário do país, só ficando atrás dos jogadores de beisebol, dos cantores e dos lutadores de sumô'', diz.
Inamura conta que pratica o esporte desde os seus 14 anos. O interesse pelo jogo começou com o incentivo de seu avô. ''Eu passei a gostar cada vez mais e percebi que o Shogui desenvolvia não só a minha concentração, como também minha paciência e estimulava meu raciocínio lógico'', complementa. ''Isso me ajuda muito no meu trabalho, porque eu consigo pensar, tomar decisões e agir mais rápido.''
Para ele, a maior dificuldade do jogo é decorar as peças, já que são todas identificadas com ideogramas japoneses. ''Geralmente, quem sabe jogar só fala japonês então é difícil para ensinar às outras pessoas'', explica.
O Campeonato Paranaense de Shogui, que é realizado há 45 anos, reúne praticantes de Paranavaí, Assaí, Bandeirantes, Maringá, Curitiba e Londrina. De acordo com Kochi Tanigushi, presidente da associação de Shogui em Londrina, o campeonato é realizado em três etapas durante o ano, nas cidades de Curitiba, Maringá e Londrina.
Para Tanigushi, o maior diferencial do xadrez japonês em relação ao xadrez ocidental é o dinamismo. ''Diferentemente do xadrez ocidental, o Shogui permite que as peças capturadas do adversário sejam reaproveitadas'', observa.
O presidente da associação enfatiza que o campeonato é muito mais do que uma competição, mas uma forma de integrar os japoneses, seus descendentes e os brasileiros. ''Aqui todos são muito bem-vindos, o campeonato é um momento de reunir todos os praticantes do Shogui'', explica.
Francisco Soares Neto, agricultor, é também um dos praticantes do xadrez japonês. Ele explica que começou a jogar incentivado por um amigo e a partir daí se apaixonou pelo esporte. ''Ele desenvolve a intelectualidade, auxilia nos cálculos e na concentração. Além disso, faz com que consigamos nos antecipar em qual será a próxima jogada do adversário, e isso é muito bom para estimular nossa mente'', analisa.


