Marcos BorgesConcentraçãoO festival reuniu crianças de 52 escolas da rede municipal: melhor desempenho em sala de aula Jogar xadrez no meio de uma aula de Educação Física pode parecer - a um rato de academia ou mesmo a qualquer desavisado - um grande contra-senso. Os únicos músculos que o esporte mexe são o do braço direito (ou esquerdo, se o jogador for canhoto) e os dos olhos, para fixar bem o tabuleiro. O resto é queima de neurônios.
Mas, para um grupo de professores da Rede Municipal de Ensino, o esporte do campeão mundial Garry Kasparov é tão importante para o desenvolvimento das crianças como o futebol de salão, vôlei ou basquete, tradicionais no ensino de Educação Física nas escolas.
‘‘A gente quer trabalhar no aluno tanto o corpo quanto a mente, e o xadrez faz o aluno usar o raciocínio e a concentração. Em competições isso é fundamental’’, explica a professora Maria de Lourdes Sanches, da assessoria de comunicação da Secretaria municipal de Educação.
Por isso, a secretaria promoveu, esta semana, um Festival de Xadrez com aproximadamente 545 estudantes, de 6 a 12 anos de idade. O torneio envolveu 52 escolas da Rede Municipal de Ensino.
Maria de Lourdes informa que o festival fez parte do projeto patrocinado pela Fundação Abrinq, de São Paulo, que visa justamente o aprendizado do jogo entre as crianças.
Em novembro do ano passado, cada escola recebeu um kit, com jogos, tabuleiros e cartilhas. Em seguida, foram realizados cursos para a capacitação dos professores para que eles iniciassem as crianças no jogo.
Os alunos das escolas municipais - das zonas urbanas e rural - começaram a receber noções de xadrez já em fevereiro deste ano. ‘‘O resultado veio muito rápido e eles têm mostrado bastante interesse. Depois de alguns meses, melhoraram inclusive o desempenho dentro da sala de aula. Alunos que era indisciplinados hoje estão bem mais calmos’’, comemora a professora.
‘‘Nossa intenção com o festival foi, primeiro, popularizar o xadrez, ainda hoje considerado um esporte de elite. Em segundo lugar, desenvolver o raciocínio lógico-matemático nas crianças. A partir daí, quem sabe, formar grandes enxadristas’’, observa a professora.
Se depender de Luiz Gustavo Venturini, 8 anos, aluno da Escola Municipal Professora Cláudia Rizzi (zona norte), os três objetivos de Maria de Lourdes serão alcançados.
Em três meses de aprendizado ele já adquiriu intimidade com as peças e pretende continuar jogando até tornar-se um grande campeão.
‘‘Foi fácil aprender e vale a pena jogar. A gente tem que ter muita habilidade e também muita concentração para ganhar’’, diz ele.
Davi Aparecido Cassiano de Almeida, 8 anos, outro aluno do Cláudia Rizzi, também não pretende largar o tabuleiro tão cedo. Desde que começou a praticar o xadrez, há três meses, ele diz que vem evoluindo a cada dia e a cada jogada.
‘‘É muito interessante e espero jogar por mais tempo’’, diz Davi de Almeida. Quem sabe não está aí um futuro adversário para o supercomputador Deep Blue, que venceu confronto semana passada com o humano Kasparov.

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