Dados da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina dão conta de que 11 mil famílias precisam de moradias. Por outro lado, o presidente da companhia e da Associação Brasileira de Cohabs (ABC), Carlos Eduardo Afonseca, acredita que o déficit habitacional no País estimado em 6 milhões não será resolvido em menos de 10 anos, mesmo com políticas agressivas de investimentos no setor.
No meio deste impasse, encontram-se famílias como a do desempregado Manoel Francisco Bueno, que mora com a esposa e dois filhos em um barraco de 20 metros quadrados, instalado em uma favela do Jardim União da Vitória (Zona Sul). Alternativas emergenciais para situações como esta foram debatidas ontem no 1º Workshop Internacional sobre Habitação Emergencial, promovido pelo Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O evento faz parte da programação do 1º Seminário Internacional de Habitação Econômica - Inovação Tecnológica, que termina hoje.
''Seo'' Manoel vive em barracos desde 1983, quando teria perdido a casa própria por problemas com a documentação. Morava em uma favela na Zona Norte quando mudou-se, há dois meses, depois de comprar a atual moradia por R$ 100. ''Aqui vivemos com dois filhos, porque o mais velho não iria caber'', conta. ''Sem piso, sem esgoto... Quando chove, molha tudo'', descreve Nilce Cardoso de Sá, a esposa.
Segundo o coordenador do workshop, Jorge Daniel de Melo Moura, propostas de arquitetos e estudantes de 26 países seriam debatidas ontem justamente para tentar atender com dignidade famílias como a de Manoel. ''A moradia emergencial tem essa proposta: tirar de forma rápida as famílias dos assentamentos, invasões e favelas'', explica. Um protótipo de madeira com 30 metros quadrados e de construção rápida já vem sendo desenvolvido há 15 anos pelo Departamento de Arquitetura da UEL. Segundo ele, duas instalações já foram feitas no Jardim João Turquino (Zona Oeste).
A eficiência da proposta é contestada por Afonseca, que vê na falta de terrenos o principal problema para o déficit habitacional em Londrina. ''O terreno representa nosso principal custo. Ainda não tive a oportunidade de conhecer este projeto, mas acredito que com o terreno disponível e com um pouco mais de dinheiro, já poderíamos construir casas populares, e não emergenciais'', afirma.
Destinadas à famílias com renda entre zero e três salários mínimos, as casas populares da Cohab têm 29 metros quadrados e, segundo a dona de casa Luciana da Silva, já oferecem um mínimo de dignidade. ''Saímos do aluguel, quando pagávamos R$ 100, e agora estamos comprando nossa casa por R$ 31 ao mês, durante 13 anos. Só de saber que isso aqui é nosso, nem me incomodo com o aperto'', diz ela, moradora do Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul). O aperto a que Luciana se refere é o ''jeitinho'' com que instala os três filhos na sala de casa, enquanto dorme com o marido no único quarto.
''Não é uma situação que pode ser chamada de digna. Mas acho que o mais importante é estabelecer de forma fixa essas famílias. O conforto vem depois'', diz Melo, quem tem em Seo Manoel um apoio. ''Não me incomodaria de morar em uma casa pequena. Tendo um teto, piso e água, já seria melhor que o nosso barraquinho'', afirma, com esperança.
Depois do seminário, o grupo de 50 pessoas irá desenvolver um projeto arquitetônico e iniciar a execução de um protótipo habitacional com uma área de 30 metros quadrados, dentro da UEL. O trabalho deve durar um mês.

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