Workshop discute efeitos da globalização nas habitações
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segunda-feira, 23 de setembro de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os efeitos da globalização sobre as condições sócio-ambientais de moradia e emprego na Região Metropolitana de Curitiba foram discutidos, ontem, no workshop Internacionalização da Metrópole e os Direitos Humanos. O encontro, promovido pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), reuniu representantes de associações de moradores e organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos. O Núcleo de Direitos Coletivos e Difusos da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apoiou a realização do evento.
Curitiba abriu os debates do projeto ''Direitos Humanos e Globalização nas Regiões Metropolitanas do Mercosul'', proposto pela ONU. O professor de Direito da UFPR, José Antônio Gediel, explicou que objetivo é ter um diagnóstico do impacto causado pela internacionalização da economia nas cinco metrópoles do extremo sul Rosário e Buenos Aires, na Argentina, Montevidéo, no Uruguai, além de Curitiba e Porto Alegre (RS), no Brasil. A idéia é, a partir desse levantamento, definir ações de defesa dos direitos humanos no âmbito jurídico.
As conclusões tiradas do workshop, em Curitiba, foram reunidas em uma carta que será encaminhada ao Alto Comissariado da ONU. O teor do documento será divulgado hoje. Gediel adiantou que, preliminarmente, a análise apontou a necessidade de se definir políticas públicas adequadas para minimizar e neutralizar os impactos da globalização sobre os níveis de emprego e qualidade de vida da população.
De acordo com a mensagem enviada pelo relator especial sobre Moradia Adequada da Comissão das Nações Unidas sobre Direitos Humanos, Miloon Kothari, estima-se que, atualmente, 600 milhões de habitantes da área urbana no mundo vivem em moradias superhabitadas, pobres e com inadequadas provisões de água, esgoto, drenagem e coleta de lixo. Um dos principais reflexos da globalização, diz o documento, é a aceleração das ''tendências de privatização de serviços essenciais para a sobrevivência, tais como água, frequentemente onerando pobres e mulheres''.


