Josoé CarvalhoMorreu ontem, às 7h10, no Hospital Evangélico, o garoto Washington Benedito dos Santos, de 12 anos de idade. Washington estava internado desde o dia 12 de junho, quando foi submetido a uma cirurgia rara no Brasil: a retirada de 90% do intestino em função de uma trombose mesentérica, ou seja, entupimento da artéria que irriga o intestino. A trombose provocou necrose de todo o intestino delgado e parte do intestino grosso, que precisaram ser retirados.
O garoto reagiu bem à cirurgia e os médicos já pensavam em dar alta a ele. Mas essa semana ele acabou desenvolvendo uma quadro grave de insuficiência respiratória (infecção pulmonar) que evoluiu em infecção generalizada. Ainda na quarta-feira, Washington foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Evangélico mas acabou não resistindo.
O corpo será enterrado às 8 horas de hoje no cemitério Padre Anchieta, no jardim Ideal (zona leste).

Arquivo FolhaComoçãoA médica Evelin Muragushi (no destaque, Washington com a mãe, no dia da cirurgia): ‘Mesmo aqui no Hospital Evangélico todo mundo estava torcendo por ele’A médica Evelin Muragushi, responsável pelo tratamento do garoto, explicou que, com a retirada do intestino, o garoto não poderia mais se alimentar naturalmente, por via oral. Ele passou então a receber os nutrientes de uma alimentação normal - glicose, aminoácidos, gorduras, vitaminas e sais minerais - diretamente na corrente sanguínea, através de um cateter, num procedimento conhecido como nutrição parenteral. Por isso, ela explica, o sistema imunológico do garoto acabou ficando comprometido, o que facilitou a formação de um quadro infeccioso. ‘‘E o próprio intestino, que foi retirado, funcionaria também como um órgão de defesa’’, observa a médica.
O caso do menino Washington causou comoção. De família pobre, ele não teria condições de financiar o tratamento - desde a assistência especializada dentro de casa até o medicamento. A mãe trabalha como cozinheira, é separada e cuida ainda de outros três filhos, com um um salário de R$ 250 por mês.
Mas depois que o caso foi divulgado pela imprensa, várias pessoas ligaram para o hospital e se prontificaram a ajudar Washington das mais diversas formas.
‘‘Mesmo aqui no Evangélico todo mundo estava torcendo por ele’’, lamenta Evelin Muragushi. Ela lembra que até o equipamento para que ele recebesse a nutrição parenteral na própria casa, que é muito caro, já havia sido prometido e seria doado. Assim que recebesse alta, Washington também passaria a integrar o programa Internação Domiciliar - mais conhecido como ‘‘Médico de Família’’ -, recebendo um tratamento mais humanizado, próximo da família, da escola e dos amigos.
A médica Evelin Muragushi, que é especialista em gastroenterologia e suporte de nutrição, explica que a trombose mesentérica é mais comum em pessoas idosas em função da arteriosclerose. Mas numa criança a doença é raríssima. ‘‘A literatura médica faz algumas referências mas nunca tinha tratado de um caso antes’’, aponta.
Ela diz que os exames que foram feitos em Washington não foram suficientes para apontar qual foi a causa da doença - que ficará desconhecida, já que a família não permitiu que fosse feita a necrópsia.
Segundo a médica, os principais sintomas da trombose são dor abnominal e vômitos. A prevenção é a mesma da arteriosclerose, ou seja, combater o fumo, o sedentarismo, excesso de gordura e alimentação incorreta. Mas isso tudo raramente faz parte do dia-a-dia de uma criança como o garoto Washington.

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