Tunas do Paraná - Quando se pergunta aos moradores de Tunas do Paraná, cidade de aproximadamente quatro mil habitantes, na Região Metropolitana de Curitiba, sobre os vulcões que existiram ali a reação é de surpresa. ''Você acabou de me assustar com esse vulcão aí'', reage o proprietário de um restaurante local, Luis Ernesto Baldão, 28 anos. Ele diz que ouviu sobre os vulcões na escola quando era criança, mas não lembra bem o que foi dito. Quando o assunto é vulcão a primeira imagem que vem à cabeça é a de uma erupção, segundo o morador. ''A gente vê o desastre na tevê e já pensa em rio de lava vermelha'', afirma. Quando é informado que o vulcão está extinto há milhões de anos, Baldão ainda desconfia. ''Posso ficar tranquilo então?'', certifica-se.
A dona-de-casa Zeneide Ribeiro do Rosário, 47 anos, também se assusta com a notícia. ''Infelizmente ainda não ouvi falar e já faz 35 anos que eu moro aqui. Deve ser meio perigoso, né. Me deixou com medo agora'', surpreende-se. Caso ainda houvesse risco, Zeneide iria embora. ''Não ia ficar mais aqui não'', garante.
Já para a atendente de creche, Elizabete Souza Pereira, 34 anos, moradora de Tunas do Paraná há 10, a história não é nova mas ela não levou muito a sério. ''Ouvi falar que tem um vulcão adormecido não sei onde. Foi uma das primeiras histórias que eu ouvi quando vim morar aqui. Dizem que vai atingir não sei quantos quilômetros se entrar em erupção, mas acho que não tem estudo comprovando senão estariam ensinando nas escolas. É coisa que se ouve de boca em boca'', avalia.
Os quatro vulcões de Tunas do Paraná têm entre 130 e 70 milhões de anos e não há risco de que eles entrem em atividade nos próximos milhões de anos. As estruturas também não têm aquele formato de cone que costuma ser associada aos vulcões. ''Nem todo morro que é parecido com um vulcão é vulcão'', alerta o professor de Geologia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Renato Eugenio de Lima. As crateras que identificam as antigas chaminés estão em fundos de vale. O conjunto de estruturas vulcânicas encontrado em Tunas é único no Estado e destaca-se pelo bom estado de preservação. A reportagem da FOLHA acompanhou a equipe da UFPR na visita às estruturas.
Com a ajuda de geólogos é possível identificar onde aconteceram as explosões 70 milhões de anos atrás. De acordo com a coordenadora do curso de pós-graduação em Geologia da UFPR, Eleonora Maria Vasconcellos, os condutos vulcânicos (canais por onde o magma sobe até a superfície) não deram origem a vulcões em formato de cone em Tunas porque houve uma implosão após a explosão. Isto é, não houve derramamento de lava ao redor dos condutos. É o acúmulo da lava em volta da ''boca'' do conduto vulcânico que vai formando o cone.
Estruturas como as de Tunas não são comuns, segundo a professora, porque elas acabam sendo arrasadas com o desgaste natural ao longo de milhões de anos. ''Aqui foi preservada porque o que há em volta dela é mais resistente, e portanto fica preservada a estrutura circular. É um dos poucos lugares em que a gente tem a exposição tão bonita de um conduto vulcânico'', afirma Eleonora.

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