Voz amiga cada vez mais difícil
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de novembro de 1997
Adriana De Cunto 
Londrina
Dorico da SilvaProblema recorrenteAna Maria Rabelo, coordenadora do Centro de Valorização da Vida, diz que Ribeirão Preto tem três vezes mais apoio para atender os telefonemas: O ideal, para Londrina, seria dobrar o número de voluntáriosDezoito anos depois de se instalar em Londrina, o Centro de Valorização da Vida (CVV) continua com o mesmo problema de sempre: a falta de voluntários para atender as dezenas de telefonemas diários, vindo de pessoas atormentadas pelos mais diversos tipos de dificuldades e que buscam uma voz amiga para ouvi-los.
O CVV comemora aniversário no dia 31 de outubro, mas os 30 voluntários que se revezam na única linha telefônica da entidade pouco tiveram tempo de comemorar. Cada pessoa é responsável por um plantão de quatro horas e meia por semana. O ideal, para Londrina, seria dobrar o número de voluntários, diz a coordenadora do Centro, a professora universitária Ana Maria Rabelo. Com mais voluntários, segundo ela, o CVV poderia requisitar mais uma linha telefônica e seria possível ampliar o atendimento - atualmente são atendidas diariamente entre 20 e 30 ligações. O CVV de Ribeirão Preto tem 92 voluntários, compara.
Para ser voluntário da entidade é preciso passar por um curso preparatório. O próximo está marcado para 15 de janeiro, em local ainda indefinido. Na aula, as pessoas conhecem a história do CVV e a filosofia de trabalho. Segundo Ana Maria Rabelo, qualquer um pode integrar a entidade. Todas as pessoas que se disponham a acolher o próximo, e a aceitá-lo sem fazer julgamentos, são bem-vindas ao CVV, avisa. A coordenadora conta que pessoas de várias classes sociais e profissões fazem parte do corpo de voluntários.
Ouvir os problemas dos outros não é a única tarefa do voluntário do CVV. Eles também são responsáveis pela manutenção da entidade em Londrina e geralmente tiram do próprio bolso o dinheiro para pagar o aluguel, conta de luz, água e telefone.
A função principal do CVV é tentar evitar que as pessoas cometam suicídio, diz Ana Rabelo. Quando alguém tem um problema, fica pensando só nesse problema desesperadamente, constata. O trabalho do Centro, explica a coordenadora, é mostrar que cada um tem seu próprio potencial para resolver as dificuldades.
Entre as queixas ouvidas diariamente pelos voluntários de Londrina, a maioria é provocada por problemas afetivos: amores mal resolvidos ou solidão. Mas a coordenadora local do CVV lembra que também são comuns os desabafos por causa de questões financeiras.
Ana Rabelo explica que o CVV nasceu na Inglaterra, no final da Segunda Guerra Mundial. Ele foi criado por um reverendo após receber a informação do suicídio de uma adolescente. Hoje, o serviço é oferecido em vários países e em cada lugar recebe um nome.
No Paraná existem apenas dois CVVs, em Londrina e Curitiba. A sede local da entidade fica na rua Mossoró, 83. O telefone é 330-4111. Ana Rabelo lembra que as ligações ao CVV são gratuitas. As pessoas gastam apenas com a ligação e os impulsos telefônicos cobrados normalmente pela companhia.


