Londrina

Dorico da SilvaProblema recorrenteAna Maria Rabelo, coordenadora do Centro de Valorização da Vida, diz que Ribeirão Preto tem três vezes mais apoio para atender os telefonemas: ‘O ideal, para Londrina, seria dobrar o número de voluntários’Dezoito anos depois de se instalar em Londrina, o Centro de Valorização da Vida (CVV) continua com o mesmo problema de sempre: a falta de voluntários para atender as dezenas de telefonemas diários, vindo de pessoas atormentadas pelos mais diversos tipos de dificuldades e que buscam uma ‘‘voz amiga’’ para ouvi-los.
O CVV comemora aniversário no dia 31 de outubro, mas os 30 voluntários que se revezam na única linha telefônica da entidade pouco tiveram tempo de comemorar. Cada pessoa é responsável por um plantão de quatro horas e meia por semana. ‘‘O ideal, para Londrina, seria dobrar o número de voluntários’’, diz a coordenadora do Centro, a professora universitária Ana Maria Rabelo. Com mais voluntários, segundo ela, o CVV poderia requisitar mais uma linha telefônica e seria possível ampliar o atendimento - atualmente são atendidas diariamente entre 20 e 30 ligações. ‘‘O CVV de Ribeirão Preto tem 92 voluntários’’, compara.
Para ser voluntário da entidade é preciso passar por um curso preparatório. O próximo está marcado para 15 de janeiro, em local ainda indefinido. Na aula, as pessoas conhecem a história do CVV e a filosofia de trabalho. Segundo Ana Maria Rabelo, qualquer um pode integrar a entidade. ‘‘Todas as pessoas que se disponham a acolher o próximo, e a aceitá-lo sem fazer julgamentos, são bem-vindas ao CVV’’, avisa. A coordenadora conta que pessoas de várias classes sociais e profissões fazem parte do corpo de voluntários.
Ouvir os problemas dos outros não é a única tarefa do voluntário do CVV. Eles também são responsáveis pela manutenção da entidade em Londrina e geralmente tiram do próprio bolso o dinheiro para pagar o aluguel, conta de luz, água e telefone.
A função principal do CVV é tentar evitar que as pessoas cometam suicídio, diz Ana Rabelo. ‘‘Quando alguém tem um problema, fica pensando só nesse problema desesperadamente’’, constata. O trabalho do Centro, explica a coordenadora, é mostrar que cada um tem seu próprio potencial para resolver as dificuldades.
Entre as queixas ouvidas diariamente pelos voluntários de Londrina, a maioria é provocada por problemas afetivos: amores mal resolvidos ou solidão. Mas a coordenadora local do CVV lembra que também são comuns os desabafos por causa de questões financeiras.
Ana Rabelo explica que o CVV nasceu na Inglaterra, no final da Segunda Guerra Mundial. Ele foi criado por um reverendo após receber a informação do suicídio de uma adolescente. Hoje, o serviço é oferecido em vários países e em cada lugar recebe um nome.
No Paraná existem apenas dois CVVs, em Londrina e Curitiba. A sede local da entidade fica na rua Mossoró, 83. O telefone é 330-4111. Ana Rabelo lembra que as ligações ao CVV são gratuitas. As pessoas gastam apenas com a ligação e os impulsos telefônicos cobrados normalmente pela companhia.

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