Osmani Costa
De Londrina
O aumento da perspectiva de vida da população brasileira tem proporcionado mudanças na relação do mercado com os idosos. A indústria, o comércio e as empresas prestadoras de serviços têm se preocupado, nos últimos anos em oferecer novos produtos, novos espaços de convivência e novas atividades para as pessoas da terceira idade, que no Brasil começa formalmente aos 60 anos.
Em Londrina, é cada vez mais comum a presença de vovôs e vovós dançando em centros comunitários, passeando nas praças e parques públicos, participando de grupos religiosos e se integrando em atividades até pouco tempo restritas a adultos de meia idade. As novas opções, algumas delas pagas, estão sendo desfrutadas principalmente por pessoas das classes média e alta.
São aposentados que, tendo trabalhado por longas décadas – e conseguido guardar algum dinheiro –, já não se conformam em ficar em casa simplesmente esperando o tempo passar enquanto os netos e bisnetos crescem. É o caso de Edivino Andrade Noronha, 84 anos, viúvo, que tem duas filhas e cinco netos. Aposentado há 26 anos, ele conta com entusiasmo que descobriu há cerca de dois anos as ‘maravilhas’ do computador.
‘‘Depois da aposentadoria e com a morte de muitos amigos, cresceu um grande vazio em minha vida. Com os avanços do computador e da Internet, possibilitando comunicação direta e instantânea entre pessoas nos lados opostos da Terra, o mundo ficou reduzido ao tamanho de uma bola de golf. Agora, sentado em frente ao meu pequeno computador, eu me comunico diariamente com meus oito irmãos e um infinito número de amigos espalhados por todo o Brasil’’, afirma com alegria Noronha, que durante 35 anos foi gerente regional de uma indústria norte-americana no Paraná.
De acordo com ele, que começou a frequentar um curso de computação na DP7 Informática há quase dois anos, a nova tecnologia transformou completamente seu cotidiano. ‘‘Eu revivi. Fiz novos amigos e reencontrei antigos. Para mim, o computador tem sido uma ótima companhia. É a minha última amante. Com ele, estou sempre despreocupado, pois supre até minhas deficiências no uso da língua de Camões’’, comenta Edivino Noronha, elogiando os avanços da tecnologia. ‘‘Estou muito feliz. Acho que por causa do computador vou até prolongar minha longevidade. Penso em chegar, pelo menos, aos 100 anos de vida.’’
A proprietária da escola de informática, Margit Barreto, explica que a presença de idosos nos cursos tem aumentado progressivamente nos últimos cinco anos. ‘‘Eles já representam perto de 20% de nossos clientes. São normalmente aposentados, homens e mulheres que trabalharam em bancos ou em boas empresas. Eles vêm inicialmente por necessidade, porque hoje a informática está presente em tudo. Vêm também estimulados pelos filhos e netos’’, diz.
Segundo a dona da empresa, os idosos são muito amáveis, aprendem rápido – apesar de não terem pressa – e aproveitam para fazer novas amizades. ‘‘Eles são aplicados, não faltam às aulas e estão sempre bem-humorados. O convívio com os colegas de turma é muito bom’’, comenta Margit, lembrando que os preços pagos pelas pessoas da terceira idade são os mesmos dos outros públicos.
Os idosos também estão redescobrindo a importância das atividades físicas para a manutenção da saúde. Na academia Wet Sport, há anos dois grupos fazem hidroginástica duas vezes por semana, tendo o benefício de 50% de desconto nas mensalidades. No grupo que vai à piscina nas tardes de terça e quinta-feiras, formado por dez pessoas, a mais idosa é a professora aposentada Cirse Lima Fujita, 73 anos, viúva.
‘‘Fiz hidroginástica durante dois anos; parei um pouco e agora voltei há três meses. Tive um problema de osteoporose e a ginástica na água ajudou bastante na minha recuperação’’, explica a advogada e ex-professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘Minha recuperação foi de 100%. Aqui, tenho grandes amigos. Eu adoro fazer hidroginástica e não falto por nenhum motivo.’’
A coordenadora do projeto de hidroginástica para idosos da WET, Kátia Aparecida Cremonez, diz que as aulas são realizadas em grupos homogêneos, com exercícios específicos e professores especializados. ‘‘Em pouco tempo, sentimos a melhora na coordenação motora, nas habilidades, na aptidão física e na auto-estima dos idosos’’, garante.
Kátia Cremonez diz ainda que os equipamentos utilizados são especialmente desenvolvidos para atender às características dos integrantes dos grupos da terceira idade. ‘‘Os exercícios da hidroginástica proporcionam benefícios nos aparelhos locomotor, cardiovascular e respiratório. Além desta melhora na saúde, as atividades ajudam o idoso a sair de casa e redescobrir o prazer do convívio social. Aqui, eles estão sempre bem-dispostos, participativos e alegres.’’ A academia oferece o acompanhamento das atividades por fisicultores, médicos e fisioterapeutas.Computadores e Internet que ligam os jovens com o mundo atraem a atenção de aposentados. Outras opções são a dança e a ginástica
Mário CesarUM SENHOR CONECTADOEdivino Andrade Noronha, 84 anos: ‘‘Com os avanços do computador e da Internet, possibilitando comunicação direta e instantânea entre pessoas nos lados opostos da Terra, o mundo ficou reduzido ao tamanho de uma bola de golf’’

mockup