''É tão bom quanto chocolate!'' Foi assim que o engenheiro agrônomo Abel Agapito de Freitas, 78 anos, descreveu a sensação de saltar de paraquedas pela primeira vez. Ele aceitou o desafio proposto pelo genro e realizou o salto duplo de uma altura de 12 mil pés ontem à tarde, no Aeroporto 14 Bis, em Londrina.
''Minha filha fez um salto no final do ano passado e ele veio assistir. Ficou tão encantado que perguntei por que ele não ia também. O Abel me respondeu que só iria se eu pagasse. Eu disse que tudo bem e ele topou'', conta o engenheiro agrônomo e piloto de rally Walter Bussadori, genro de Abel. ''Já que ele está pagando, por que não? Não tenho medo de altura e gosto de fazer coisas novas, de experimentar. O mundo evolui e a gente tem que acompanhar. Acho essas possibilidades modernas muito interessantes'', comentou Abel.
E a altura não é um problema para ele, que já saltou de 15 andares para testar um aparelho contra incêndios de sua invenção. ''Acho que o medo vem da falta de vivência. E a idade não é motivo para deixar de fazer nada. Estou tranquilo e vou subir lá e me exibir um pouco'', disse, mostrando bom humor e calma minutos antes de entrar no avião.
Mais tensa estava a esposa de Freitas, Sarah Maria de Freitas. ''O salto dele foi marcado inicialmente para o dia 16 de janeiro, mas como choveu teve que ser cancelado. Fiquei aliviada por saber que ele não iria pular aquele dia. Hoje pela manhã olhei para o céu e pensei que pudesse acontecer o mesmo. Mas o tempo está bom e ele está confiante, então vamos lá'', afirmou.
Quando soube que seria a pessoa mais velha a saltar de paraquedas em Londrina, Freitas fez outra brincadeira. ''Eu sempre quis quebrar algum recorde. Consegui. Agora não posso deixar minha sogra pular, porque daí ela tira minha marca'', comentou. ''Se eu pudesse, pularia com certeza. Me animei com a atitude dele'', afirmou Maria da Piedade, sogra de Abel, de 94 anos.
Filhos e netos também foram até o aeroporto para assistir ao salto. ''Meu avô é muito ativo e encara bem os desafios. Acho que ele é um exemplo. Eu não tenho hoje a coragem dele para saltar'', disse o neto Rodrigo Bussadori, que é piloto de rally e enduro de motocicleta.
O filho de Abel, o desenhista gráfico Pedro Freitas, veio dos Estados Unidos visitar a família e aproveitou a oportunidade para saltar com o pai. ''Já saltei uma vez há um ano e disse que não faria aquilo de novo nunca mais. Mas pela coragem dele resolvi tentar'', afirmou.
Antes de saltar, Abel garantiu que estava tranquilo e esperando o melhor. ''Fico imaginando que deve ser muito bom ver a cidade toda lá de cima, sem ser da janela do avião. Imagino que seja uma sensação muito boa'', comentou. Para uma das filhas, ele confidenciou: ''Se eu morrer, vou morrer voando. Quer jeito melhor?''
Depois de um voo que durou cerca de cinco minutos, quase um inteiro deles em queda livre, o agrônomo se aproximou da terra sorrindo e mandando beijos para os familiares que o aguardavam no solo. ''No começo fiquei um pouco perdido porque era tudo muito novo, mas a sensação é maravilhosa. Se pudesse subia outra vez agora mesmo'', garantiu.
Segundo o instrutor Fabio Pelayo, que fez o salto duplo com Abel, ele foi um acompanhante animado e aproveitou cada momento. ''São pessoas como ele que me dão prazer em fazer os saltos com passageiro'', disse.

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