Vovó menininha faz 100 anos
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sábado, 27 de maio de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
''Ela é uma avó, uma tia, uma mãe e uma filha para nós'', resume o sobrinho de segundo grau, Leonel Serafim Baião, de 40 anos, ao falar do carinho que a família tem com dona Guilhermina Eduardo Félix, que ganhou ontem uma grande festa para comemorar seus 100 anos de vida. Apesar de não ter tido filhos e seus pais e irmãos já terem falecido, pode-se dizer que sua família é grande, até pelo amor que lhe dedicam as pessoas que convivem com ela.
Com deficiência auditiva e mental, ela sempre precisou da atenção e cuidados das pessoas ao seu redor. Guilhermina aprendeu a andar somente aos oito anos, ensinada por um irmão mais novo, e hoje caminha com dificuldade. ''Mas ela entende as coisas, lembra-se das pessoas, acho até que ela compreende as coisas melhor do que a gente'', afirma o sobrinho. Ele faz uma macaquice e dona Guilhermina ri feito criança. Depois, ela começa a cantar sílabas estranhas, enquanto bate a mão no peito fingindo tocar violão e divertindo a família, que bate palmas quando acaba a apresentação. E foi através de pequenos gestos como este que os familiares contribuíram para a longevidade desta anciã que ainda hoje age como se fosse uma menininha.
Depois que seus pais morreram, há mais de 50 anos, ela foi morar com um irmão no interior de São Paulo. Com a morte dele há sete anos, porém, Guilhermina veio para Londrina para morar com sobrinha Neuza Cardoso Félix, 67 anos, mãe de Leonel. Quando era mais jovem, a aniversariante ajudava nos afazeres domésticos e gostava de cuidar de animais, mas atualmente limita-se a passar as horas sentada em sua poltrona. Nas poucas ocasiões em que sai de casa, é para satisfazer a sua vontade de ir à missa.
A história de Neuza, a sobrinha, é um capítulo à parte. Mãe de dez filhos, seis deles morreram antes de completar três anos, e outro, aos sete anos de idade. Dos três que sobreviveram, um chegou a ser desenganado pelos médicos quando criança, mas resistiu, e outro tem deficiência mental. Além disso, ela cuida de três netos enquanto a filha trabalha. Neuza já cuidou também dos pais, dos sogros e até de um amigo da família, depois que familiares o abandonaram em Tamarana. ''Se eu pudesse, eu ajudava todas as pessoas que vejo em dificuldades por aí, mas infelizmente não dá'', afirma.
Essa disposição em ser solidário manifesta-se também no filho, Leonel, que, mesmo desempregado, cria três crianças que trata como filhos e pretende adotar outra. E, assim, a família de dona Guilhermina vai crescendo ainda mais.


