Voto facultativo politizaria debate eleitoral
''O ponto fundamental da legitimidade do voto é a qualidade, e não a quantidade'', defende o advogado Newton Moratto, em favor do voto facultativo. Para ele, sem a obrigatoriedade, só votariam as pessoas interessadas no processo, o que não significa necessariamente que elas sejam as mais instruídas. ''Costuma-se acreditar que as classes de menor poder aquisitivo e menos instruídas não vão participar, mas isso é subestimar essas pessoas. Você parte do pressuposto de que o outro não está apto a votar'', alega.
Para o advogado, da forma como é realizada hoje, a votação é aleatória, já que boa parte dos eleitores não refletiu sobre o assunto - o que tornaria o sistema igualmente excludente. ''Falta informação e conscientização'', critica, acrescentando que as pessoas não se sentem representadas pelo sistema atual, e que muitos se arrependem da escolha pouco tempo depois das eleições, justamente por não ter avaliado antes de votar. ''Dessa forma, não há legitimidade.''
O voto facultativo, segundo Moratto, politizaria mais o debate eleitoral. ''Os partidos teriam de convencer o eleitor por meio de propostas concretas, e assim, levá-lo a votar. Além disso, haveria uma mudança no comportamento da população, com uma reflexão e um interesse maior, resultando em mais consciência política'', justifica, ressaltando que os resultados não seriam imediatos, e que seria preciso um trabalho de médio a longo prazo, além de uma reforma política e uma melhora no sistema educacional.
Ele afirma não ser possível fazer previsões sobre índices de participação sem implementar o voto facultativo de fato. ''Não adianta fazer pesquisa agora, porque muita gente vai pensar só na questão de se livrar do incômodo que é ser obrigado a ir votar. Seria preciso primeiro deixar de entender isso como uma obrigação'', explica.(A.I.)





