Curitiba
O projeto de lei que permite a instalação de uma usina termoelétrica no Litoral paranaense, provavelmente em Pontal do Paraná, pode ser votado até sexta-feira na Assembléia Legislativa, antes do recesso dos deputados. Por falta de tempo e excesso de projetos em pauta, o projeto não foi aprovado ontem pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), apesar do esforço de deputados da base governista. O adiamento pode ser considerado uma vitória dos ambientalistas, que condenam a construção da usina.
De autoria do presidente da Assembléia, deputado Aníbal Khury, o projeto tem o apoio de boa parte dos deputados e deve ser aprovado com a grande maioria dos votos.
A usina, movida a carvão, serviria para a produção de energia com fins comerciais e seria construída pela Copel, em parceria com os grupos privados Inepar, Chilgener e Denerge.
Ambientalistas afirmam que a instalação da termoelétrica no litoral colocaria em risco praticamente todas os balneários do Paraná, com a emissão de resíduos poluentes.
Uma sessão extraordinária da CCJ pode ser convocada a qualquer momento para a aprovação do projeto, que então segue para a votação no plenário. ‘‘Não foi votado hoje, mas tudo é possível’’, diz o presidente da CCJ, Joel Coimbra (PDT).
‘‘Vamos discutir como sempre, mas somos minoria e não há muita esperança de vetar o projeto, que deve ser aprovado com grande unanimidade’’, prevê o deputado Florisvaldo (Dr. Rosinha) Fier (PT).
O Fórum das Entidades Ambientalistas da Região Metropolitana de Curitiba continua fazendo pressão para impedir a construção de uma usina termoelétrica movida a carvão no litoral paranaense.
Ontem, estudantes de biologia levaram uma faixa de protesto à reunião da CCJ. As ONGs já enviaram 10 mil cartões ao governador Jaime Lerner contra a instalação da usina, e agora distribuem 30 mil adesivos no litoral e na Região Metropolitana de Curitiba.
De acordo com os ambientalistas, a usina iria afetar 14 unidades de conservação (como parques, estações ecológicas e áreas de proteção).
O deputado Renato Adur (PMDB) encaminhou na semana passada um ofício a Copel solicitando uma audiência pública sobre a proposta de instalação da usina, mas até ontem não havia obtido resposta da estatal. ‘‘Queremos que todas as partes possam se manifestar.’’
Segundo informações obtidas na Copel, a usina poderia ser instalada em Pontal do Paraná ou em Paranaguá, com uma capacidade de produção de energia de 750 megawatts. As empresas alegam que a construção no litoral facilitaria o desembarque do carvão, que seria importado e descarregado em um novo porto.

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