Como você gostaria que fosse sua morte? Se visualizar um sono tranquilo, deitado em sua cama, perto de gente querida ou num lugar paradisíaco, provavelmente sua resposta irá coincidir com a da maioria. Segundo o coordenador do SID, Luis Fernando Rodrigues, os defensores da internação domiciliar costumam fazer essa pergunta justamente porque sabem que, podendo escolher, dificilmente alguém desejaria se despedir da vida num hospital.
Para o promotor de Direitos e Garantias Constitucionais e da Saúde em Londrina, Paulo Tavares, é fundamental que se respeite a autonomia do paciente, pelo menos no caso dos adultos. ''Muitas famílias preferem deixar o doente na UTI porque assim ficam mais tranquilas. Mas e o paciente, como será que se sente?'', indaga. O promotor diz desconhecer a existência de legislação específica que permita ao cidadão escolher se quer morrer em casa, mas que a vontade dos pacientes costuma ser respeitada.
O coordenador do SID sustenta que, se os doentes sem chance de cura tivessem consciência de sua situação, um número maior de pessoas optaria por receber cuidados médicos em casa até a hora da morte. ''A verdade tem que ser dita para o paciente. E esse não é um hábito do médico brasileiro'', argumenta o coordenador, que já trabalhou no Hospital João de Freitas, em Arapongas, e no Hospital Universitário (HU) de Londrina. ''O importante é que o paciente saiba que, aconteça o que acontecer, a família e a equipe médica estarão do lado dele até o final'', salienta. (V.N.)

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