Voluntários tentam empregar surdos
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Marcos NegriniPrivilegiadoArmando da Silveira, um dos poucos que conseguiu empregoPara amenizar as dificuldades enfrentadas pelos deficientes no mercado de trabalho, voluntários do Ministério Mãos que Proclamam, da Igreja Batista Memorial, estão acompanhando deficientes auditivos na tentativa de conseguir empregos. O alvo são as empresas que dispõem de vagas que requerem principalmente habilidade manual.
Vencer o preconceito não é fácil. Depois de anos de trabalho, só foi possível obter vagas para quatro deficientes auditivos. Para a religiosa Cleusa de Araújo Júlio Costa, 27 anos, o problema é a desinformação das pessoas.
A estimativa é que existem em Maringá cerca de 700 deficientes auditivos. O número é baseado em pesquisa realizada em clínicas médicas. Com base nisso, é possível estimar que existem pelo menos 20 deficientes auditivos empregados formalmente na cidade.
Porém, Cleusa acredita que o número total de deficientes pode ser maior. Se forem levados em conta os surdos que não tem qualquer tipo de contato social, acreditamos que este número passa de mil, afirma. Outra barreira enfrentada pelos surdos é a falta de profissionais capacitados para entender a linguagem deles.
O trabalho dos voluntários começou há sete anos, por iniciativa de Cleusa. Em 1990, a religiosa conheceu três deficientes auditivos que frequentavam a Igreja Batista Memorial e percebeu que eles tinham muitas dificuldades de comunicação e interação com os demais fiéis.
Interessada pelo modo de vida dos deficientes, Cleusa começou a pesquisar a doença e a estudar a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), método utilizado pelos surdos para comunicação. Percebi que a sociedade não está preparada para receber os surdos no mercado de trabalho.
Cleusa e outros voluntários da entidade visitam empresas que oferecem emprego. Em muitos casos, os voluntários acompanham os deficientes até a empresa na primeira entrevista, atuando como tradutores da linguagem de sinais.
Outra dificuldade está na falta de capacitação dos deficientes. A maioria das escolas formadoras de mão-de-obra qualificada não tem um profissional que possa ensinar os deficientes auditivos. Cleusa acredita que as escolas deveriam investir na contratação de um profissional especializado e também na construção de salas especiais.
Se a contratação é conseguida, o trabalho continua. Os voluntários acompanham o deficiente no local de trabalho, nos primeiros dias. Muitas vezes, segundo Cleusa, os deficientes não têm conhecimento sobre seus direitos e obrigações e podem abandonar o emprego se perceberem que estão sendo ridicularizados ou explorados por outros funcionários.
Sem preconceito A empresa Ortopedia Maringá conta atualmente com dois deficientes auditivos em seu quadro de funcionários. O primeiro foi contratado há quinze anos. Há dois meses, a empresa contratou mais um deficiente.
O chefe do setor de confecções de produtos ortopédicos, Natalino Aparecido Fernandes, reconhece que inicialmente o contato com os deficientes auditivos é um pouco difícil. Mas depois a gente mesmo acaba criando uma forma de comunicação e acaba se entendendo muito bem, diz.
Para o deficiente auditivo Armando da Silveira, 32 anos, contratado pela empresa, a oportunidade de emprego veio em boa hora. Ele trabalha na Ortopedia Maringá há dois meses.
Comunicando-se por meio de sinais, ele conta estar feliz com o novo emprego e que não tem dificuldades em aprender o serviço. Cleusa assegura que os deficientes auditivos têm condições de trabalhar na maioria das funções, com exceção de telefonista. Eles se dão muito bem com trabalhos manuais, como pintura, arquitetura, digitação, auxiliar de oficina e muitos outros.


