Voluntários servem almoço de Natal para pessoas em situação de vulnerabilidade
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
Aline Machado Parodi <br> Reportagem Local 

O salão paroquial da igreja Nossa Senhora de Lourdes, na região Leste de Londrina, ficou lotado para o almoço de Natal preparado pelos voluntários da FAC (Fraterna Ajuda Cristã). Há 41 anos, a associação prepara um almoço especial para os moradores de rua, pessoas carentes e indígenas que estão na cidade.
Muito mais do que um prato de comida, muito bem preparada por mais de 30 voluntários, as pessoas recebem carinho e afeto. Os voluntários preparam refeições para 700 pessoas, no ano passado foram servidas 600.
O coordenador da FAC, Amauri Campos, afirma que Londrina tem um sério problema de pessoas em situação de rua. "Tem aumentando o número de pessoas que está ficando pelas ruas e não há políticas específicas para essas pessoas", disse.
A maioria daqueles que estavam no evento são assistidos durante o ano pela associação. "Elas estariam perambulando de porta em porta e sendo servidos de qualquer jeito. Hoje, trazemos eles e servimos com dignidade com garçons e comida boa. Queremos resgatar a dignidade dessas pessoas", afirmou.
O casal Aline Nascimento dos Santos, 20, e Elton Ribeiro, 28, participou pela primeira vez do almoço. Eles moram na rua há cerca de seis anos. Uma vida marcada pelas drogas, prostituição e incertezas. "Se não estivéssemos aqui o Natal seria com fome e pedindo comida nos restaurantes ou nas casas", disse Santos.
A recicladora Carla Roberta de Oliveira, 34, chegou cedo para não perder nenhuma atividade do evento. Ela e os cinco filhos moram no Cinco Conjuntos (zona Norte). "Aqui é legal, as crianças gostam e ganham presentes", contou Oliveira.
A manicure Francisca Maria dos Santos Martins, 26, mora há cinco anos em Londrina e participa todos os anos. Natural de Codó (MA), ela não tem família na cidade. "Venho todo ano. Gosto da comida. O pessoal é educado e as crianças se divertem", contou.
Dona Maria Moro, 83, trocou o almoço com o filho para estar presente no evento. Ela sempre trabalho como voluntária, pois está se recuperando de uma queda. "Meu filho queria que eu fosse lá, mas ficar aqui com eles me dá uma alegria tão grande. É um prazer comer com eles", disse.
Antes do almoço foi apresentado um teatro falando do significado do Natal e houve distribuição de roupas. Irmã Delfina, uma das fundadoras da iniciativa, conta que a ideia surgiu durante uma novena de Natal. "Estávamos em uma favela fazendo a novena e uma criança pediu comida de presente. Saímos de lá e decidimos fazer o almoço. Isso foi 41 anos atrás", recordou.
Para ela ver o salão lotado é a realização de um sonho. "Se usamos a fé para nossa própria pessoa fica uma coisa muito vaga. Precisamos ser humildes e trazer no coração que o pobre é como a gente", refletiu a irmã.
Também foram distribuídos panetones e o papai Noel fez a festa das crianças que ganharam brinquedos.


