Voluntários salvam famílias desnutridas
Érika Pelegrino
De Londrina
Um bebê de seis meses com aparência de recém-nascido. Um bebê de um ano que o hospital afirma não ter mais o que fazer por ele, a mãe grávida do sétimo filho querendo fazer um aborto, o pai desempregado. Uma mãe que não consegue amamentar o filho recém-nascido. Estas são algumas das situações que mulheres que fazem parte da Pastoral da Criança, existente desde 1982, tentam reverter.
São 1.136 mulheres que fazem um trabalho voluntário dedicando parte de seu tempo para ajudar a acabar com a desnutrição. Para isto elas acompanham desde a gestação até os seis anos de vida da criança. O coordenadora da Pastoral da Criança, na região sul, Erotildes Rodrigues Neves, explica que o trabalho consiste em visitar mensalmente as famílias e fazer uma série de perguntas sobre o estado geral da criança, saber se a vacinação está em dia, se a criança esteve doente e o porquê.
Nos casos necessários as crianças são encaminhadas ao posto de saúde. As voluntárias também trabalham orientando as mães sobre hábitos alimentares, aproveitamento de alimentos ricos em vitaminas que normalmente são jogados fora casca de frutas, talos de verduras, entre outros e até mesmo sobre higiene.
Também faz parte do trabalho destas mulheres pesar mensalmente as crianças. Se a criança está desnutrida as visitas passam a ser semanais, ou mesmo diárias, dependendo da gravidade do caso. Marisa Porto Silva, é voluntária há seis anos e hoje atende 20 crianças. Fazemos um trabalho de tartaruga, mas aos poucos conseguimos ajudar muitas crianças, declara.
O trabalho nestes casos exige paciência, dedicação, persistência e humildade. É preciso ser humilde para falar com as pessoas, afirma Iraci Squiavon da Silva, há cinco anos como voluntária. Nem todas as mães, segundo ela, seguem as orientações, o que dificulta o trabalho de recuperação de uma criança desnutrida.
Iraci Squiavon conta o caso de uma criança de 5 anos cujos pais são evangélicos e não aceitam os remédios fitoterápicos e a multimistura farinha de trigo torrada, fubá, farelo de arroz, farelo de trigo, sementes torradas, folhas de verduras verde escuro por considerar que são simpatias. Neste caso recorremos à médica do posto de saúde para falar com esta mãe. Como se trata de uma profissional a mãe dá mais credibilidade, explica Iraci Squiavon.
Este é outro problema que as voluntárias enfrentam. A maioria das mães demora algum tempo até adquirir confiança nas informações que estamos passando, por não termos uma formação na área de saúde, conta Iraci Squiavon. São comuns também os casos de indiferença e de preguiça das mães. É mais fácil dar um saquinho de cheeps para a criança do que seguir nossas orientações sobre hábitos alimentares, afirma. Muitas vezes as mães alegam que a criança não aceitava o alimento que estamos dando (multimistura), complementa.
Numa situação destas, Iraci Squiavon e mais duas voluntárias chegaram a levar a criança para casa. Filha de mãe solteira de 18 anos, uma menina de 20 meses em estado sério de desnutrição ela pesava 8,5 quilos passou uma semana na casa de cada voluntária sendo tratada com a multimistura e os cuidados necessários.
Depois devolvemos a criança para a mãe e explicamos que ela estava aceitando bem o alimento recomendado, conta. O trabalho muitas vezes não se restringe às crianças. Erotildes Neves cita o caso de uma voluntária que conseguiu recuperar toda uma família. Ela conta que um hospital encaminhou um bebê de um ano dizendo que não tinha mais nada para fazer por ele.
A voluntária conseguiu recuperar a criança e toda a família que estava desestruturada: a mãe grávida do sétimo filho querendo abortar, o pai desempregado, conta Erotildes Neves.Atuação dos integrantes da Pastoral da Criança tem sido fundamental para recuperar a saúde de adultos e crianças
Mário CesarDEDICAÇÃOA voluntária Marisa Silva: Fazemos um trabalho de tartaruga, mas aos poucos conseguimos ajudar muitas crianças





