Curitiba Hoje fazem exatamente oito meses que o Paquistão sofreu um terremoto, que deixou como saldo a destruição de um país, 40 mil mortos e mais de 2,5 milhões de pessoas desabrigadas. A catástrofe mobilizou o mundo inteiro a ajudar às famílias necessitadas, fazendo doações de medicamentos, agasalhos e alimentos, ou mesmo ajudando como voluntários no atendimento à população. Neste último caso, se encaixa o trabalho feito pela equipe de missionários brasileiros que retornou para casa, ontem, depois de passar cerca de cinco meses prestando ajuda humanitária.
O grupo da organização Jovens com uma Missão (Jocum) foi coordenado pelo curitibano Alexandre Palmeira, de 28 anos, que ainda traz na bagagem o trabalho missionário durante a queda do Talibã, no Afeganistão em 2002. ''Já passou a fase de socorro emergencial e o governo está fazendo a retirada da ajuda humanitária e dos campos de refugiados. Agora o país está em processo de desenvolvimento para reconstruir a vida'', informa Palmeira, que trabalha há dez anos no Jocum, coordenando projetos voltados para Ásia. Com a chegada da primavera lá, foi possível iniciar a reconstrução das casas e subsidiar famílias a recomeçarm seus negócios e a comprarem animais.
Segundo ele, 70% da força humanitária já foi retirada do Paquistão, restando a presença de algumas ONGs e da Organização das Nações Unidas. ''É difícil precisar quantas pessoas atendemos, mas pode-se dizer que foram cerca de 500 famílias. Fomos ajudar as pessoas que estavam com saúde debilitada e não podiam sair de suas casas'', conta. ''Enfrentamos vários locais com neve, registrando entre cinco a dez graus abaixo de zero. Tivemos que caminhar cerca de duas horas, subindo montanhas e carregando mochilas de até 30 quilos com medicamentos, comida, agasalhos e calçados'', relata Palmeira.
A equipe ficou estabelecida na cidade de Abottabad e fazia viagens diárias até a cordilheira do Hindokush, pela estrada de Kara-Koran, para atender famílias dos vilarejos de Muzaffarabad, Norgramm, Tassa, Rhoumidin, Sharca 1, 2 e 3, entre outros. O Jocum recebeu apoio para a missão da comunidade evangélica e ainda da Malásia que fez a doação de 5 mil isolantes térmicos e 7 toneladas de roupas de frio e de pessoas físicas. A equipe formada por cinco jovens, com idades entre 24 e 32 anos, contou com uma enfermeira, dois socorristas e um atendente de saúde. Dois integrantes da equipe eram do Paraná, um de São Paulo, um do Acre e outro da Argentina.
''Nós do ocidente somos muito mal informados a respeito dos povos mulçumanos. Mesmo eles, tendo acabado de sofrer uma tragédia, não perdiam a hospitalidade e a gratidão ao nos receber. Estou falando de pessoas que moram em tendas e que nos recepcionaram com o melhor que têm. Nos serviam até chá'', conta Palmeira. ''A gente tem um conceito de achar que são ativistas e terroristas. Mas o que ficou para nós é um respeito grande por esse povo. Nós crescemos como pessoas e a gratidão é nossa. Eles com tão pouco e sofrendo com aquela destruição massiva ainda conseguem ser felizes'', conclui o missionário.

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