Voluntários reformam escola na Zona Oeste
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sexta-feira, 07 de setembro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Uma mão tira o chiclete debaixo da carteira, outra ajuda a derrubar uma árvore, outra tira o pó dos livros da biblioteca. E assim, de mão em mão, a Escola Estadual Dario Vellozo, na Zona Oeste de Londrina, foi completamente transformada por cerca de 1.600 mãos voluntárias. A iniciativa partiu do projeto ''Mãos que ajudam'', da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e contou com o apoio também da Secretaria de Estado de Educação, empresários, professores e alunos da escola e da comunidade em geral.
Não foi por acaso que o feriado da Independência do Brasil foi a data escolhida para a ação, que pretende reformar 300 escolas em todo o País, com o apoio de 60 mil voluntários. ''Só vamos conquistar a real independência do Brasil quando oferecermos uma boa educação para as nossas crianças. E uma das formas de se incentivar isso é propiciar um bom ambiente educacional. Estamos apenas dando o pontapé inicial'', justificou Juliam Camargo, coordenador da ação em Londrina.
Divididos em grupos de trabalho, os voluntários lixaram e reformaram carteiras, consertaram o piso, trocaram quadro-negros esburacados, derrubaram árvores, arrumaram cercas, pintaram paredes, reformaram a quadra de esportes, instalando inclusive uma tabela de basquete, consertaram ventiladores, lâmpadas e problemas hidráulicos, trocaram as cortinas e até plantaram mudas e grama. Tudo para dar melhores condições de estudo para os 220 alunos da segunda série primária ao terceiro colegial. ''Nós escolhemos esta escola porque, apesar de estar em uma região central, estava em péssimas condições de conservação, e também por ser a única escola estadual a imprimir material em braile. Há inclusive três alunos com deficiência visual, que não teriam condições de andar em um piso esburacado'', explicou o coordenador, acrescentando que a ação ainda contribui para estimular a cidadania. ''É importante conscientizar as crianças a respeito da preservação do patrimônio público, além de incentivar a solidariedade. Nosso foco principal é ajudar o próximo'', afirmou.
Para a diretora da escola, Edna Maimone, a reforma foi ''a realização de um sonho''. Estamos lutando há tempos por melhorias. Então, quando eles vieram se oferecer ficamos muito emocionados. Essas melhorias vão ajudar a elevar a auto-estima dos alunos, a estimular a sua curiosidade em relação ao aprendizado e influir até no rendimento escolar'', avaliou, acrescentando ainda que a ação serve de exemplo de cidadania para os próprios alunos.
''É fundamental a integração da escola com a comunidade. Temos estatísticas que mostram que as escolas onde a comunidade também participa apresentam melhores rendimentos'', comentou Márcia Lopes de Souza, chefe do Núcleo Regional de Ensino, que também colocou as mãos na massa.
O projeto ''Mãos que ajudam'' existe desde 2001. Em Londrina, os voluntários já confeccionaram e doaram roupas hospitalares, reformaram uma creche no conjunto Guilherme Pires e restauraram uma praça na avenida Tiradentes.


