Voluntários preparam a Imin 100
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A Expo Imin 100 - festa em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa - só vai acontecer entre os dias 18 e 22 de junho, mas centenas de pessoas já estão trabalhando para que o evento seja marcado pela beleza e organização. Ontem foi a vez do grupo da terceira idade da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel) entrar para o mutirão que vem se formando na cidade. Reunidos no início da tarde, cerca de 150 idosos da comunidade japonesa participaram de oficina para aprender a confeccionar as flores que vão compor os grandes enfeites chamados tanabatas.
As flores são feitas em papel crepom (para as decorações internas) e em TNT (para ambientes externos). O projeto decorativo - desenvolvido por nove arquitetos nisseis que trabalham voluntariamente - prevê o uso de 280 mil flores, que vão compor os mil tanabatas coloridos que vão enfeitar o aeroporto, a rodoviária, a Praça Tomi Nakagawa e o Parque Ney Braga.
Os tanabatas, que começarão a ser montados dois meses antes da festa, são elementos decorativos tradicionais da cultura japonesa, feitos geralmente em papel, que representam estrelas. A esfera superior, coberta de flores, é uma espécie de cabeça com cauda, como se fosse uma estrela cadente pendurada no céu. Além das flores, os tanabatas que serão usados na Imin 100 serão compostos também de cerca de 45 mil tsurus (garças feitas em origami) em papel branco.
Os origamis serão feitos por 12 mil crianças das escolas da rede municipal de ensino, que também vão participar da comemoração estudando a história do Japão ao longo do ano. ''O tema da festa é 'Integração e Evolução', por isso a preocupação de promover este envolvimento e comprometimento de toda a comunidade de Londrina e região'', lembrou uma das coordenadoras da Imin, Kimiko Yoshii.
Américo Morya, responsável pela equipe de arquitetos, lembra que cada pessoa que participa das oficinas, passa a ser uma multiplicadora da técnica. ''Acredito que já temos atualmente umas 700 pessoas trabalhando na produção dos enfeites. 40 mil flores de crepom já foram confeccionadas'', revelou o arquiteto. De acordo com Morya já foram realizadas cerca de 15 oficinas semelhantes à de ontem. Todos os dias, a partir das 15h30, são realizadas oficinas no Sesc da Fernando de Noronha, abertas a toda a comunidade.
Morya, que a princípio iria desenvolver apenas o projeto decorativo e hoje é um dos mais envolvidos com a festa, disse que é surpreendente ver a receptividade de todos. ''A maior parte das pessoas gosta de participar e de fazer os enfeites, sente orgulho em poder dizer que faz parte de um evento tão importante como este.''
Entre os voluntários que não medem esforços para homenagear os primeiros imigrantes japoneses está a professora aposentada Yuriko Murao, de 82 anos, mais conhecida como Júlia. Ontem ela perdeu a aula de hidroginástica para aprender a fazer as flores de TNT, e não escondia a empolgação. ''Estou achando muito fácil, vai dar para fazer muita flor'', garantiu, empolgada. Yuriko acredita que, apesar da idade, não deve perder a chance de ajudar a tornar a festa ainda mais grandiosa. ''Vou ajudar no que precisarem. Se for necessário, posso até levar trabalho para casa, para fazer à noite ou nas horas vagas.''


