Voluntários orientam acampados no Fazendinha
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - No dia em que são comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a jovem Bianca, 20 anos, não tem muito o que comemorar. Pelo contrário, sua revolta, desespero e até descontrole são decorrentes de suas recentes perdas. No dia de ontem, Bianca (que não informou o nome completo à reportagem) não tinha onde morar. Era mais uma pessoa entre as 40 famílias que ainda ocupam os precários barracos na calçada em frente ao terreno no Fazendinha, de onde foram despejadas, em 23 de outubro, junto com outras 1,5 mil famílias.
Porém, o principal motivo que a fazia chorar é a perda da guarda de seu filho de 2 anos, levado pelo Conselho Tutelar a um abrigo no dia da desocupação. "A força está acabando. Poucas pessoas aguentam e quem sobrou aqui é quem precisa. Estamos arriscando nossas vidas", alertava a jovem. Ela se lembra da morte do amigo Celso Eidt, executado dia 5 de novembro, no barraco onde morava.
Assim como Bianca, as outras 40 famílias que estão na calçada passam por uma situação em que seus direitos humanos são violados diariamente. "Pela luta ao direito à moradia, eles sofrem dificuldades de segurança, alimentação, trabalho, higiene. Estão expostos, alguns desistiram porque é insustentável a violência que sofrem", conta a educadora popular Vanda de Assis, 31, que decidiu se mudar para a ocupação para ajudar a organização das famílias. A violência a que ela se refere são as ameaças sofridas logo após a desocupação do terreno e os carros que passam próximos aos barracos durante a noite buzinando e xingando.
Grupos de diversos movimentos sociais apóiam os moradores da ocupação com orientação jurídica, atividades culturais e doações de cestas básicas, artigos de limpeza e higiene. Entre eles, o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (Iddeha), que realizou ontem uma atividade com as famílias. Foram desenvolvidas oficinas de grafite, pintura, a revitalização do espaço Ciranda -destinado às brincadeiras das crianças, customização de camisetas, orientações sobre os direitos dos sem-teto e formação política. A proposta foi a de melhorar as condições de vida, resgatar a auto-estima das famílias e combater a criminalização da ocupação pelo viés da humanização, solidariedade e comprometimento.
"A luta pelos direitos humanos passa pela luta da moradia. Hoje é um dia importante, não adianta ficar só na burocracia", afirma a assistente social do Iddeha, Adriana Maria Matias.


