Imagem ilustrativa da imagem Voluntários oferecem uma refeição especial na Concha Acústica de Londrina
| Foto: Gustavo Carneiro



O Sopão Voluntário para moradores de rua é uma iniciativa que completa 16 anos de atividades em 2018. Para encerrar o ano, o grupo de voluntários serviu uma refeição especial nesta segunda-feira (17) à tarde, na Concha Acústica, área central de Londrina. O coordenador da ação social, Gervásio González, ressaltou que diferentemente de outros dias em que é servido uma sopa, nesta segunda o grupo ofereceu estrogonofe de carne de frango, com batata palha e arroz. Antes, foram realizadas apresentações natalinas.

"Estamos chegando perto de 70 mil refeições servidas nesses 16 anos de atividade. Hoje servimos uma refeição especial para eles, tudo foi preparado com muito amor e muito carinho." Ele calcula que cerca de 200 pessoas participaram da festa nesta segunda. "Costumo dizer que a gente começa segunda-feira em uma luta enorme, mas é um combustível para encarar a semana", afirmou González.


Diante da observação da reportagem que havia pessoas com residência fixa, ele destacou que isso aconteceu muito ao longo deste ano. "Muitas pessoas que têm onde morar participam do sopão, porque não têm o que comer em casa", afirmou. A dona de casa Helena Cruz Cantoni, 66, é uma delas. Moradora do conjunto Violin (zona norte), ela relatou que vive sozinha, por esse motiva participa das reuniões semanais na Concha Acústica. "Eu não tenho ninguém com quem conversar. Tranco a minha casa e venho para cá. Eu me distraio no meio deles."

Uma das pessoas que vai com frequência se alimentar com esse grupo é João Batista Teles de Aquino, 52, que nasceu em Borrazópolis (Vale do Ivaí). Ele trabalha na colheita de café, feijão, milho e arroz. "Agora está difícil de achar serviço. Eu moro na rua há 20 anos e sempre me alimento no sopão de segunda-feira", apontou.

O eletricista e pintor Claudecir Pereira de Faria, 36, veio de São Paulo para Londrina e está a caminho de Santa Catarina. "Eu quero ir até lá para trabalhar na colheita de maçãs, mas não consigo sair de Londrina porque perdi todos os meus documentos", explicou. Ele afirmou que participar de uma refeição é uma "dádiva de Deus". Ao ouvir os cânticos de Natal, ele se emocionou. "Escutar essas músicas de Natal me faz lembrar de minha família. Minha mãe mora em Presidente Prudente (SP)", afirmou.

González agradeceu os 30 voluntários que ajudam a realizar o sopão semanalmente, mas fez uma ressalva. "Não somos nós que estamos pedindo dinheiro em sinaleiro. Tem um pessoal pedindo nos cruzamentos, mas a gente não faz isso. Se quiser doar entre em contato direto comigo, pelo telefone 99683-7196".

mockup