Voluntários: o amor em forma de doação
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quinta-feira, 29 de junho de 2006
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - ''O primeiro pensamento é o de ajudar os outros. Mas o crescimento maior acaba sendo para você''. A reflexão do músico e psicólogo Cláudio Amarro Cassal resume o sentimento de pessoas que dedicam um pedacinho do tempo do dia-a-dia para ajudar o próximo. São os voluntários que atualmente vêm fazendo grande diferença em hospitais, creches, asilos e outras instituições onde a administração pública é incapaz de suprir as necessidades da comunidade.
Cassal, 30 anos, participa há três anos do grupo de voluntários que faz parte da Associação de Apoio à Criança com Neoplasia (Apacn), em Curitiba. ''Vim conhecer a Apacn por intermédio do meu pai e acabei gostando do lugar, do pessoal, e fui ficando'', lembra. O músico, aliás, acha que a transparência nas ações das instituições beneficentes ajuda muito na arrecadação de recursos e na reunião de mais gente disposta a ajudar. ''É preciso escolher um lugar onde você se sinta bem, tem que conhecer a idoneidade do pessoal'', reforçou.
O músico também trabalha como psicólogo autônomo e oferece oficina de musicoterapia duas vezes por semana. Cassal afirma que não encontra problema de horários para oferecer ajuda. ''A gente fica com receio de não gostar e não voltar. Mas é só questão de arrumar o horário e acostumar. No começo é complicado mas depois, o difícil é parar. Você começa a ver outras realidades e a gente aprende muito com o retorno deles, com o desenvolvimento humano'', comentou.
''O trabalho aqui é bem livre, as crianças têm bastante liberdade para fazer as coisas. Os adolescentes sentem um pouco mais a falta de atividade mas também participam. A gente sabe que as pessoas estão aqui de passagem e logo vão embora; então, o mais importante é fazer despertar essas atividades'', explicou Cassal.
As crianças e adolescentes, muitas delas com a triste rotina no tratamento da neoplasia, que envolve todo tipo de tumor, é quem agradecem. A presença dos voluntários torna a rotina de exames muito mais fácil. ''Ajuda bastante no desenvolvimento da criança, na amizade. Minha filha brinca mais, tem mais carinho, se dá melhor com as pessoas, agora'', destacou Lourini Maria Rubert, dona-de-casa de 38 anos, mãe de Marieli, que aos três anos luta diariamente contra a leucemia.
O pequeno Mateus Vieira Torres, de 10 anos, é um dos alunos frequentes da aula de musicoterapia de Cassal, que reúne de três a sete crianças, duas vezes por semana, no auditório da Apacn. Há três meses fazendo tratamento de leucemia, o garoto deixa um pouco de lado os problemas da doença para se dedicar à música. ''Toco piano, violão e triângulo. Antes de vir pra cá eu comecei a fazer aula de guitarra'', disse o menino, que já se destaca entre os músicos mirins, sempre dedilhando os teclados.
O garoto, de maneira tímida, não só aprova a oficina oferecida por Cassal como também sugere o aumento do número de voluntários. ''Sem eles ia ser muito chato. Se viesse mais gente ia ser mais legal. À noite, depois da seis, não tem voluntário e é muito chato''.


