Sem cobertor, sem gás para fazer a comida e sem esperança. Assim estava a recicladora Maria da Luz, de 57 anos, moradora do assentamento Morro do Carrapato (zona leste de Londrina), que recentemente teve o dinheiro do Bolsa Família furtado. A fome agravou a sensação de frio, já que no local venta muito e quase todas as moradias são construídas precariamente, com madeiras ou compensados reaproveitados.
A situação dos moradores do Morro do Carrapato foi retratada em uma reportagem publicada no dia 17 de abril, na FOLHA, e sensibilizou muitos leitores, entre eles funcionários da Unopar e membros de uma igreja evangélica. Eles se uniram para coletar cobertores e agasalhos, que foram distribuídos no fim de semana. "Conseguimos arrecadar 55 cobertores e 400 peças de roupas", contabilizou Simone Aguiar de Souza, assistente administrativa da universidade, que liderou a ação.
"Nós só ficamos sabendo da situação depois de ler a reportagem da FOLHA", ressaltou Simone. De casa em casa, os voluntários batiam as palmas para entregar os cobertores e as roupas arrecadadas. Algumas das voluntárias foram com sandálias rasteirinhas e não se importaram em caminhar em uma área que não é pavimentada, com muita terra, pedras e mato.
O auxiliar administrativo Alisson Natan, de 16 anos, trabalha na instituição e mora no bairro Aeroporto, também na zona leste, mas não tinha conhecimento da existência do Morro do Carrapato. "Eu fiquei comovido com a história deles e decidi ajudar", revelou. A cada visita ele via o rosto de felicidade dos moradores ao receber a doação.
O técnico em segurança do trabalho Verdison de Lima ficou responsável por conseguir os carros para realizar a entrega e também recrutou mais voluntários na Igreja Adventista para auxiliar na tarefa. Seu colega, Welington José Queiroz, relatou que o quadro foi bastante chocante. "É muito triste. A gente não dá valor para o que tem, mas depois de ver como eles vivem, em meio a entulhos, passa a ver a nossa realidade de maneira diferente", declarou.
A ajuda chegou em boa hora para Paulo Cosimo da Silva, que está desempregado e a mulher com suspeita de dengue. Ele destacou que a tendência é que a temperatura caia cada vez mais.
Maria Aparecida Rodrigues ficou emocionada com os cobertores e roupas que recebeu dos voluntários. "Eu vejo isso como um alívio. É duro explicar para as pessoas como a gente vive, mas ações como essa são um sinal de que a gente não está esquecido", declarou.

Provopar
Segundo o Simepar, em maio a temperatura oscilará entre 15ºC e 23,7ºC no Norte do Paraná. Em junho essa amplitude térmica ficará entre 13,7ºC e 22,2ºC, com previsão de geadas.
O Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) de Londrina realiza uma campanha de inverno, com pontos de coleta em 41 estabelecimentos comerciais da cidade. Além das doações, as pessoas podem comprar o vale-cobertor, no valor de R$ 14. As doações e vale-cobertores também podem ser obtidos na sede da entidade, na Avenida J.K, 2.882, em horário comercial. Informações pelo fone (43) 3324-2397.

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