Voluntários fazem uma corrente do bem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Micaela Orikasa<BR>Reportagem local 
Para algumas pessoas, tão difícil quanto pensar que ainda hoje existem famílias vivendo na linha da miséria é imaginar que, a poucos dias do Natal, elas não têm dinheiro para comprar sequer uma roupa nova ou brinquedo para os filhos. Ainda que esta realidade seja distante para muita gente, ela está presente na vida de muitos londrinenses, como a FOLHA mostrou em matéria publicada em outubro deste ano.
''Depois que li a matéria sobre as necessidades dessas famílias, levei a questão para a reunião de voluntariados e decidimos ajudar com a doação de brinquedos. Considerando o histórico dessas crianças, este pode ser o único presente que elas irão ganhar no Natal'', declarou a servidora pública Denise Fernandes, do grupo de voluntários da Justiça Federal.
Outros voluntários se uniram e doaram alimentos, roupas e brinquedos que resultaram em uma grande festa realizada ontem para 160 crianças em uma chácara da Zona Leste de Londrina. Elas puderam tomar um café da manhã reforçado, ter um delicioso almoço e, claro, ganhar muitos presentes.
''A reportagem abriu os olhos de muita gente que pensava que não existia miséria em Londrina. Após essa publicação, as pessoas entraram em contato conosco para colaborar como podiam. E essa festa só existe hoje (ontem) pela solidariedade dessas pessoas'', diz Maria Luiza Casanova, que há um ano, desenvolve o projeto Galera de Deus Escola de Valores, ao lado do marido Marcelo.
Em cada rostinho era possível perceber que, para elas, a magia do Natal estava acontecendo naquele momento. ''Meu Natal ficou muito melhor. Foi o melhor presente que já ganhei'', contou Igor Marques Batista, 8 anos, enquanto mostrava a chuteira e as roupas novas que ganhou.
A pequena Stefany Gabriela Vieira, 4, esforçava-se para carregar a boneca. De tão feliz, a baixinha não pensou duas vezes e já foi beijando o brinquedo que tinha acabado de ganhar. ''Estou achando tudo muito maravilhoso porque tenho outros três filhos e não daria para comprar nada para eles'', conta emocionada, a mãe Fabiana.
Quem também não escondia tamanha alegria era Kléber Fonseca, 3. Ao desembrulhar o presente e descobrir uma bola, já foi logo abrindo um sorrisão e jogando no salão, como se a vida fosse feita só de brincadeira.
''Com o projeto, pude perceber que essas crianças precisam se sentir amadas e valorizadas. Cabe a nós, adultos, sonhar com elas, ensinando valores e princípios. Elas sabem que o caminho pode ser do bem e que isso só depende de cada um'', diz Maria Luiza.


