Londrina - A Casa de Apoio Luiza Piccirillo é uma hospedagem provisória para pacientes e familiares em tratamento no Hospital Universitário (HU) de Londrina, procedentes da periferia e zona rural do município e cidades da região. São 12 leitos, mas o espaço já está pequeno diante da demanda crescente. "Nós já chegamos a abrigar 14 pessoas colocando colchões no chão", relatou a presidente da Associação de Voluntários da Casa, Hezir Tomás da Cruz.
Para minimizar o problema, a associação lançou ontem de manhã a campanha "Abra Mais Portas Para a Vida", que visa arrecadar recursos para abrir adquirir um imóvel ou um terreno para construção de uma casa, que fique próxima ao HU. O objetivo é facilitar o atendimento de pessoas como a dona de casa Cristiane Simioni de Paula, de 32 anos. Ela está há mais de um ano acompanhando a filha Gabriele, de um ano, que faz tratamento por quimioterapia. Cristiane mora em Santo Antônio da Platina, cidade do Norte Pioneiro distante cerca de 150 km de Londrina, e, após entrar em contato com a assistência social do HU, foi encaminhada à casa de apoio.
"É um tratamento muito difícil e as crianças merecem ter um local mais amplo para esquecer um pouco o sofrimento causado pela reação dos medicamentos", destacou Cristiane. Ela relatou que sai de Santo Antônio da Platina às 3 horas e, muitas vezes, só deixa o hospital às 19 horas, o que inviabiliza a viagem todos os dias. "A gente precisa descansar para poder dar força para nossa filha", afirmou.
Quem também veio de longe é a dona de casa Zenilda Aparecida dos Santos, de 31 anos, de Cascavel (Oeste), distante 364 km. Ela acompanha a filha Maria, de 10 anos, internada no Centro de Tratamento de Queimados. A menina teve 56% do corpo queimado em um acidente doméstico e ambas estão na cidade há 48 dias.
Zenilda conta que se sente como se estivesse em sua casa, tamanho o carinho que recebe de Maria dos Anjos Tavares, de 52 anos, responsável por fazer a comida e cuidar do imóvel. Maria dos Anjos relata que também se emociona com as histórias dos hóspedes. "Sempre procuro dar uma força", garantiu.
O eletricista Ilton José da Cruz, de 49 anos, acompanha o filho Mateus, de 18, que sofreu um acidente vascular cerebral. "Nós somos de Ibaiti (Norte Pioneiro, a 157 km de Londrina) e não sei quanto tempo eu ainda terei de ficar por aqui", expôs. Ele destacou que o trabalho da associação de voluntários é especial.

Projeções
A assistente social do HU, Eliana Palu Rodrigues, destacou que existem dois terrenos na mira da associação. "Não sabemos ainda o valor do imóvel, mas calculamos que fique em torno de R$ 180 mil", apontou.
Os arquitetos voluntários Élcio Melo e Nádia Diniz calculam que se o novo imóvel tiver 400 m², a construção custará aproximadamente R$ 800 mil. "Nós calculamos que o projeto arquitetônico ficará pronto dois meses depois de adquirido o terreno e a execução da obra, se conseguirmos o dinheiro, pode ser em um ano", destacou.
Vale lembrar que a associação não recebe verbas federais, estaduais ou municipais. Segundo Hezir, os recursos são oriundos de doações e de promoções, como chá e bazar.

Serviço
Mais informações sobre a campanha "Abra Mais Portas Para a Vida" pelo fone (43) 3371-2256

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