Voluntários cortam cabelo em troca de cobertores
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segunda-feira, 25 de junho de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Cortar o frio com o calor do próprio trabalho. Essa foi a proposta do evento ''Dê um corte no frio'', realizada pelo Núcleo Setorial de Salões de Beleza com apoio do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) de Londrina. Durante todo o dia de ontem, cerca de 20 voluntários revezaram tesouras e secadores para melhorar o visual das pessoas que se dispunham a doar um agasalho, cobertor ou vale-cobertor de R$ 8,00. A expectativa dos organizadores era de atender a 100 pessoas.
Realizada há mais de 10 anos, a campanha é uma iniciativa dos próprios profissionais, todos de salões conhecidos na cidade: Jacques Janine, Lincoln Tramontini, Ateliê de Beleza, Estúdio V, Cor e Corte, Vizano Cabeleireiros, Dilson Cabeleireiros e Cabeleireiro Infantil Mr. Cuca. Na maioria desses locais, o corte custa pelo menos três vezes mais o valor do vale-cobertor. Ou seja, o ''cliente'' ajuda uma família carente cortando o cabelo com um profissional reconhecido na cidade a um preço bem abaixo do normal. E ainda ganha uma maquiagem, oferecida pelas Farmácias Vale Verde.
O evento faz parte da campanha ''Inverno Solidário'' do Provopar, que vai até 31 de julho. No ano passado, foram arrecadadas 80 mil peças, o que beneficiou 11 mil famílias e 100 entidades beneficentes. Perto desses números, a iniciativa dos cabeleireiros parece ser pequena, mas os benefícios vão além da simples doação de cobertores. ''Com esse tipo de evento, as pessoas passam a perceber que podem realizar outras ações, que elas podem doar com o próprio trabalho, e isso dá resultado'', avaliou Tânia Maria Pereira, assistente social do Provopar.
''Ajudar famílias carentes é uma maneira de devolver aquilo que a sociedade nos dá'', definiu o cabeleireiro Dilson Cesar Figueira, que participa do evento há seis anos. Questionado se a iniciativa também não seria uma forma de dar publicidade ao próprio trabalho, Dilson foi enfático: ''pode até ser, mas esse não é o meu objetivo''.
Os profissionais levaram os próprios materiais e equipe para o evento. Também fizeram questão de manter a qualidade de seus trabalhos. ''Não é porque é em troca de um agasalho que vamos fazer qualquer tipo de corte. Estamos fazendo o melhor, para que as pessoas saiam daqui felizes'', ressaltou o cabeleireiro Gino Piagi.
''Eu costumo pagar sete reais para cortar. É mais barato, mas mais longe, então vim aqui'' contou a aposentada Tereza Massoni, 59 anos, pouco antes de saber que seu corte costuma custar R$ 30,00 no salão de beleza. ''Não teria dinheiro para pagar tudo isso. Vale a pena'', confessou.
Já a bancária Maria Regina Brunhari, 42 anos, gostou tanto do resultado que já deixou pago o corte da filha. ''É uma iniciativa ótima. Acho que outros profissionais poderiam fazer ações parecidas, não só aqui, mas também em asilos e outras entidades. O ganho é mais na alma do que financeiro'', sugeriu.


