Voluntários coordenam orientações
Jonas OliveiraEstela Maris, 30 anos, com as gêmeas Rafaela e Gabriela: pesagem na balança e acompanha-
mento da Pastoral é que indica a saúde das criançasCada comunidade atendida pela Pastoral da Criança tem um líder comunitário e um grupo de voluntários. Na Vila Nori, em Curitiba, o aposentado Rubem Faria, 68 anos, é o líder do grupo que acompanha 72 famílias e 102 crianças. Em apenas um ano de trabalho, os voluntários já viram a recuperação de várias crianças desnutridas. Eu voltei a me sentir útil e realizado, diz o aposentado.
Na comunidade, ligada à Paróquia São Marcos, a equipe também distribui cestas básicas aos mais necessitados. Duas vezes por mês seu Rubem, como é conhecido, visita casa por casa, acompanhado por sua mulher Pedrina Gonçalves, 49 anos. Subindo e descendo morros eles chegam à casa de uma dessas famílias. Maria de Fátima Alves Camargo, 26 anos, é viúva e mãe de cinco meninas, a mais velha com 10 anos e a mais nova com três. Elas vivem numa casa de madeira, de quarto e cozinha.
Jonas OliveiraMaria de Fátima, 26 anos, viúva e mãe de cinco meninas: aprendendo a fazer soro caseiro e prestar atenção em sintomas de pneumoniaCom a equipe da Pastoral, Fátima aprendeu a fazer o soro caseiro e também a desconfiar de uma simples gripe, quando pode ser pneumonia. Como a casa fica quase na beira de uma valeta, sem rede de esgoto e com problemas no abastecimento de água, as crianças têm diarréia com frequência e também já tiveram pneumonia. Estas doenças ainda estão entre as principais causas de mortalidade infantil. Fátima também recebe o suplemento nutricional para melhorar o desenvolvimento das filhas.
A irmã de Fátima mora bem perto dali. Vera Lúcia Camargo, 23 anos, também tem cinco filhos. A qualidade de vida é um pouco melhor, porque ela tem marido empregado. Mesmo assim os filhos têm diarréia frequentes e um deles já teve anemia. Quando a porta do núcleo da Pastoral se abre, as mães vão chegando com os filhos. Muitas em busca do lanche distribuído pelos voluntários.
Roseli Antunes dos Santos, 30 anos, tem quatro filhos. Todos tiveram pneumonia. O marido está desempregado e o suplemento alimentar preparado com farinhas tem mantido as crianças dentro do peso recomendado. Estela Maris Tavares, 30 anos, também tem quatro filhos. As mais novas são as gêmeas Rafaela e Gabriela, que choram de medo da pesagem. Mas é a balança que indica a saúde delas. Rosilene da Cruz Pinheiro, 24 anos, traz os dois filhos e os dois sobrinhos para o núcleo da Pastoral. Ela vive sozinha e diz que precisa das orientações para cuidar das crianças.
Os voluntários trabalham há quase um ano na comunidade, mas ainda têm muitos desafios. Um deles é recuperar Caroline Lisboa de Jesus, de 10 meses, que está desnutrida. Há meses a balança insiste em marcar seis quilos, sendo que para a idade dela deveria marcar pelo menos dois quilos a mais. A mãe, Edicléia Lisboa de Jesus, 22 anos, também já esteve desnutrida. Abandonada pelo companheiro, ela vive na casa da mãe.
A realidade das famílias da Vila Nori mostra que manter uma criança viva e saudável envolve fatores como educação sexual, controle da natalidade, saneamento básico e emprego. A própria Pastoral da Criança considera que a prevenção e o acompanhamento das famílias, dentro deste contexto, acaba sendo um trabalho complementar ao serviço público de saúde no combate à mortalidade infantil. (M.K.)





