Voluntários controlam fogo em parque
Vânia Moreira
De Umuarama
e Agência Estado
O esforço de moradores e posseiros de Ilha Grande e de funcionários das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) municipais impediu que um incêndio devastasse durante o final de semana a maior ilha do Parque Nacional de Ilha Grande, Rio Paraná. Cerca de 15 voluntários arriscaram a vida e trabalharam mais de 24 horas seguidas para conter o fogo, que começou sexta-feira à tarde perto da Lagoa Saraiva, considerada um dos principais berços de peixes do Paranazão, no município de Guaíra.
Quando o Corpo de Bombeiros chegou à ilha, sábado de manhã, o incêndio já estava controlado. O fogo destruiu mais de 150 alqueires de vegetação nativa, mas o trabalho dos ilhéus evitou que se alastrasse e subisse a ilha.
Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros de Umuarama, capitão Geraldo Domaneschi, embora ainda não organizada oficialmente a Defesa Civil tem agido com eficiência no combate a incêndios na reserva ecológica do Rio Paraná. É um dos poucos lugares onde vejo voluntários arregaçar as mangas e enfrentar o fogo, disse Domaneschi.
O Corpo de Bombeiros está treinando 10 voluntários de cada município da área do parque (Guaíra, São Jorge do Patrocínio, Altônia, Vila Alta e Icaraíma) para combater incêndios no arquipélago. O Coripa, consórcio intermunicipal para preservação da área, também quer cadastrar pessoal e máquinas que possam ser mobilizados imediatamente.
Dono de 42 hectares em Ilha Grande, o apicultor Inelson Alberto, o Gaúcho, 40 anos, de Terra Roxa, convocou empregados e amigos para combater o fogo que estava começando sexta-feira à tarde perto da lagoa. Gaúcho pediu ajuda à APA de Guaíra que enviou sete homens com bombas dágua e abafadores. Uma caminhonete e um minitrator que ele tem na ilha foram usados para transportar água e o pessoal no banhado.
O grupo passou a noite trabalhando e conseguiu evitar que o fogo subisse a ilha em direção a Vila Alta. A Ilha Grande tem 72 mil hectares e 150 quilômetros de extensão entre Guaíra e Icaraíma.
Foi o terceiro incêndio no parque em menos de um mês. O maior deles, destruiu cerca de três mil hectares de vegetação, quase a metade da Ilha Bandeirantes, a segunda maior do arquipélago. Os moradores das ilhas defendem a abertura de estradas a pelo menos cada 500 metros, que funcionariam como aceiros, impedindo a propagação do fogo.
Os focos de calor aumentaram em várias regiões do País, principalmente no arco do desmatamento que compreende do sul do Pará até o Acre atingindo também o Pantanal, no Mato Grosso do Sul. Os focos de calor no Estado subiram de 270 em julho, para 1.769 este mês. A fumaça das queimadas já está causando prejuízos em várias partes da Amazônia, como no Acre, onde os vôos estão sendo cancelados por causa da falta de visibilidade.Arquipélago de Ilha Grande sofreu o terceiro incêndio em um mês, que atingiu uma das principais áreas de reprodução de peixes
Ricardo Kleber de AbreuMilton DóriaMarcos NegriniLindauro Gomes/Agência EstadoTEMPO QUENTEIlhéus lutam contra o fogo em Ilha Grande; abaixo e à esquerda, Londrina e Maringá sofrem com os efeitos da névoa seca que cobre as cidades desde a semana passada; um avião dos EUA com equipamentos desenvolvidos pela NASA vai combater o fogo na Amazônia





