As mazelas da sociedade comoveram o estudante de agronomia Giancarlo Valduga, 24 anos. Ele reuniu uma turma de amigos, todos arrumaram donativos e começaram a distribuir para os mendigos e catadores de papel de Curitiba. Toda quarta-feira é sagrada. São 80 lanches servidos por semana. Em um ano e quatro meses de trabalho voluntário, o jovem testemunha: ‘‘Isso aqui é uma guerra’’.
Um dos ‘‘guerreiros’’ desta batalha diária pela sobrevivência é o catarinense Edilberto Thomas de Oliveira, 23 anos. Há 20 dias, Edilberto está na rua. Desempregado, veio tentar a sorte como operário da construção civil e só encontrou ‘‘não há vagas’’. Sem dinheiro e abrigo, começou a passar as noites na Praça Santos Andrade. Na quarta-feira passada, matou a fome com uma sopa e estancou o frio com um cobertor fornecido pelo estudante Giancarlo. ‘‘É a primeira vez que vivo nesta situação. Vim para cá porque falaram que as condições eram melhores, mas o desemprego está difícil’’, afirma.
Mauro FrassonGiancarlo acompanha o depoimento de Edilberto junto com a estudante de enfermagem Fernanda Broering Gomes, 20 anos, que também ajuda na distribuição de comida, e conclui que pessoas assim estão excluídas de qualquer acesso a uma vida normal. ‘‘É uma pessoa que não teve oportunidade nenhuma na vida. Essa competitividade de mercado está difícil e essas pessoas não têm especialização nenhuma’’, lamenta. O estudante elogia o trabalho de catadores de papel, que segundo ele, ‘‘exercem importante trabalho na limpeza das ruas’’.
Mauro FrassonDados da Fundação de Assistência Social (FAS) indicam que a população fixa de mendigos que vivem nas ruas da capital paranaense é de 300 pessoas em idade adulta. Entre crianças e adolescentes, o contingente cadastrado é de 124. Outros 600 menores vivem em ‘‘situação de rua’’, em que mantêm laços familiares, mas sobrevivem diretamente da rua. A coordenadora da FAS-SOS, Cintia Koerich, afirma que Curitiba é a capital brasileira que detém o menor número de mendigos nas ruas. (D.V.)

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