Voluntários alimentam a esperança
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domingo, 01 de maio de 2005
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
A pobreza do Jardim São Jorge (Zona Norte) despertou o interesse de voluntários do Posto de Assistência Auta de Souza. Todos os domingos, o grupo oferece alimento e palavras de apoio às famílias mais carentes. ''Graças às doações, atendemos cerca de 100 famílias com 150 litros de sopa que acabam em aproximadamente quinze minutos'', disse o presidente e fundador da ONG, Maurício Bacaroglo.
Verduras, legumes e carne de soja compõem muitas vezes a única refeição dominical para famílias que convivem com o desemprego e o abandono do poder público. Segundo o aposentado Adalberto Izael Santos, o posto de sáude mais próximo fica no Jardim Itamaraty (Zona Oeste) e a distância prejudica o atendimento da comunidade. ''Nossas missas são realizadas na escola (Municipal Atanázio Leonel) porque falta igreja no bairro'', completou o morador.
No pátio desse estabelecimento escolar, os voluntários improvisam a cozinha, sala de reuniões, oficina de costura e 'um parque de diversões'. A adesão às atividades é basicamente de mulheres e crianças, que normalmente estão ociosas aos domingos. Separada, mãe de duas crianças, a dona de casa Rosimeire Pitta Maracio, 28 anos, é uma das mais novas moradoras do assentamento Nossa Senhora Aparecida, invasão vizinha ao Jardim São Jorge. Com o auxílio da comunidade, ela construiu seu barraco há cerca de 30 dias, ganha cesta básica da prefeitura e água da irmã. ''Estudei até a 4 série e sempre trabalhei na roça. Aceito qualquer trabalho para sustentar meus filhos'', afirma a mulher que veio de São Jerônimo da Serra.
De acordo com a assistente social Vanda Kemp, o objetivo não é simplesmente doar. ''O alimento é a necessidade mais imediata, porém não é a única. Queremos que eles conquistem a auto suficiência através da organização'', explicou a vice presidente da ONG. A zeladora Vaudice Donizete Rodrigues é um dos 25 voluntários que abdica do convívio familiar em benefício do próximo. Ontem, ela e quatro alunas passaram a tarde confeccionando uma colcha de fuxico que assim como os trabalhos em crochê já prontos serão vendidos e revertidos em material de consumo. ''Infelizmente, nossos encontros são curtos e a matéria prima é pouca'', contou a voluntária.
O trabalho da ONG Auta de Souza no Jardim São Jorge existe há quase cinco anos e começou sem estrutura alguma. Hoje em dia, o grupo conta com o patrocínio da TCGL, que cede um ônibus duas vezes por mês; da diretora da escola, que libera o local; de colaboradores, que doam o alimento e utensílios e dos próprios moradores que aos poucos aumentam sua participação. ''Nosso pagamento é saber que o comportamento das crianças na escola melhora dia-a-dia e que isso é o primeiro passo para um futuro melhor'', disse Maurício ao lembrar que, atualmente, a sopa é feita praticamente pelas mulheres da comunidade.


