Voluntários ajudam crianças de assentamento
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quinta-feira, 18 de outubro de 2018
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Um sorriso espontâneo e sincero. Afinal de contas, ver o reflexo no espelho de cara limpa, roupas novas e cabelo penteado é sinônimo de alegria para as crianças que vivem no assentamento São Jorge, na zona norte de Londrina. "Eu gosto. É bom tomar banho aqui porque eu também ganho roupas e tênis", diz o garoto Pedro Augusto Martins, 10. No sábado (13), foi a vez dele tomar banho no projeto "Lavando a Alma", do Centro Espírita Auta de Souza. A cada fim de semana, cerca de 20 crianças tomam banho, vestem roupas novas e recebem um creme à base de arruda nos cabelos para eliminar piolhos.

Mas a fila é grande. Pelo menos 53 crianças estão cadastradas no projeto, com autorização dos responsáveis, para tomar banho. "Contamos somente com um local de banho e um chuveiro. O ideal seria atender todos a cada sábado, pois muitos aqui só tomam banho nessa ocasião", conta a bancária Patrícia Diniz, uma das voluntárias.
Em julho de 2018, a FOLHA contou a história de famílias que vivem nas cerca de 60 ocupações irregulares em Londrina sem saneamento básico. O assentamento São Jorge é um deles. São aproximadamente duas mil famílias instaladas em barracos improvisados, muitos sem privadas e nem chuveiros. A maioria conta com a água de uma torneira coletiva e cava buracos na terra para despejar os dejetos do banheiro.
Para Diniz, a iniciativa não é só de ordem de saúde, mas de resgate da identidade. "A gente está dando a oportunidade delas se olharem no espelho, de banho tomado e cabelo penteado. Elas passam a entender que são merecedoras desses cuidados básicos. Muitas delas vivem em locais onde não há sequer banheiro e, por isso, acabam tomar banho em chuveiro somente aqui", revela.
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Moradora do assentamento há quase cinco anos, Ana Paula Bispo de Oliveira, 27, conta sobre a alegria que contagia as filhas Hágata Beatriz,5, e Yasmim Vitória, 4, após o banho. "Elas saem com roupinha e sapato novos. Na minha casa não tem chuveiro e para tomar banho eu tenho que levá-las na casa da minha mãe. Então, quando chega a vez delas no projeto, é só alegria. Ajuda muito", diz.
Para esse atendimento acontecer, a família de Diniz ajuda com o cadastro das crianças, triagem das roupas e calçados que chegam através de doações e com o banho. Mas a ação envolve a dedicação de muitos outros voluntários, inclusive de moradores do bairro, que se dividem em tarefas como limpeza do banheiro, lavagem das toalhas, preparo do creme para piolho, entre outros. "Eu quis me enturmar e fico feliz em saber que estou ajudando da maneira que posso. As crianças brincam, dão risadas, pedem abraços. Não tem explicação", conta o morador do bairro Rafael Lopes da Silva, 19, que ajuda no banho dos meninos.
Do lado de fora, com um espelho, toalha, pente fino e creme preparado por voluntárias, Franciele Davanço, também moradora do assentamento, cuida dos cabelos das crianças. "Meus filhos também tomam banho aqui e eu vejo como eles ficam felizes. Eles saem daqui limpinhos e com roupas novas. A forma que tenho de agradecer é ajudando", conta ela, que capricha no visual das meninas, colocando presilhas e brincos que chegam de doações.
O "Lavando a Alma" surgiu há três meses e precisa de doações de kits de higiene (sabonete, xampu, condicionador, pente fino, remédio para piolho, cotonete, escova e pasta de dentes), toalhas, roupas, principalmente de meninos, e calçados em geral, a partir do número 25. O projeto também pede calcinhas, cuecas e cadarços.
SERVIÇO - As doações para o projeto Lavando a Alma podem ser feitas no centro espírita Auta de Souza, que fica na rua Antônio Marcelino de Oliveira, 450, no Jardim São Jorge, ou pelo telefone (43) 99178-5941.


