Voluntárias do Vista Bela ajudam idosos e acamados
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 

A realidade de um dos bairros mais vulneráveis de Londrina, o residencial Vista Bela (zona norte), bateu no portão da casa da segurança Hiltica Sterling. Tratava-se de uma senhora que não tinha outra alternativa a não ser pedir ajuda pelo bairro para matar a fome. "Não pude ignorar aquela situação. Entrei em alguns grupos do Facebook e consegui algumas doações", conta Sterling, que ao ajudar aquela senhora despertou para um projeto de vida, que inclui ajudar toda a comunidade do Vista Bela, onde atualmente vivem 18 mil pessoas.
Ela está à frente do projeto "Amor ao Próximo" junto com a costureira Cristiane Santos, que, assim como Sterling, faz da empatia um exercício diário. Santos também foi tocada pela realidade quando o filho ainda era bebê. Ela passou por dificuldades financeiras e foi ajudada através de doações. Foi então que resolveu retribuir esse favor à sociedade.
E como diz o ditado popular "a união faz a força", elas entenderam que juntas poderiam praticar o amor ao próximo. Foi assim que há cinco anos surgiu o projeto que se propõe a ajudar doentes, idosos e deficientes físicos com o empréstimo de acessórios e equipamentos a famílias carentes, além de doações de roupas, fraldas e alimentos.
"Procuramos suprir essas famílias quando estão em extrema dificuldade, ou seja, em caráter emergencial, pois nosso trabalho não tem o objetivo de fornecer as doações continuamente", explica Santos, que entre uma ajuda e outra descobriu uma demanda imensa de pessoas que não tinham condições de comprar ou alugar cadeiras de rodas, de banho ou até camas hospitalares.

A partir daí, o projeto Amor ao Próximo abraçou a missão de atender também as necessidades dessa população. Como uma corrente do bem, elas passaram a pedir doações pelas redes sociais e hoje já dispõem de uma série de acessórios que são emprestados às famílias.
Na sede do projeto, onde vive Sterling, há pelo menos 350 cadeiras de rodas, além de camas hospitalares, cadeiras de banho, muletas, andadores, botas ortopédicas e cadeiras infantis. "Criamos um sistema para atender quem realmente precisa. As famílias que nos procuram são cadastradas e recebem nossa visita em casa. Elas assinam um termo de responsabilidade e cada caso terá um período estipulado de empréstimo", explica Sterling.
Somente no Vista Bela são 280 famílias cadastradas, mas as voluntárias adiantam que os pedidos de pessoas de outros bairros também são atendidos. É o caso de Leandro Mosca, que mora no centro e esteve no projeto com a mãe Maria Aparecida Kalil Mosca para devolver a cadeira de banho usada pelo pai. "Viemos agradecer a ajuda e trazer algumas doações. Ficamos sabendo do projeto através de uma amiga. Meu pai tinha Alzheimer e usou a cadeira todos os dias durante um mês. Somos muito gratos e desejamos que esse trabalho cresça mais e mais, pois tem muita gente precisando", desabafou o empresário, que perdeu o pai há poucos dias.
Segundo Sterling e Santos, as cadeiras ajudaram até agora mais de 250 pessoas, mas considerando as doações de alimentos, fraldas e roupas, a dupla já perdeu as contas.
REFORMA
Para fazer o projeto girar, Sterling e Santos dizem que não há hora para trabalhar. Elas estão disponíveis o tempo todo e contam com a ajuda de voluntários, como Luciana Jandira de Lima, que ajuda a buscar as doações e dar uma cara nova aos acessórios.
Isso porque praticamente todas as cadeiras chegam em estado crítico. "Nós lixamos, trocamos parafusos, assentos e pintamos. Estando prontas, um fiscal voluntário que trabalhou anos na área da saúde, vem verificar se elas estão seguras para o uso", diz Sterling.
Apesar dos custos que muitas vezes são cobertos pelos próprios voluntários, a dupla enfatiza que não recebe doações em dinheiro, apenas em materiais. Para isso, apontam que a maior necessidade no momento são itens para reforma das cadeiras (parafusos, porcas, espumas, lonas, assentos, pneus e tinta); acessórios para acamados (lençol, fraldas geriátricas e colchão casca de ovo); alimentos; roupas de gestantes e leites especiais. "Há muitos bebês que são alérgicos e precisam de fórmulas específicas", explica.
SERVIÇO:
Quem quiser ajudar o projeto pode telefonar para (43) 99613-3175 ou acessar a página "Amor ao próximo Projeto Voluntário" nas redes sociais.


