Voluntárias comemoram 20 anos de ação
Érika Pelegrino
De Londrina
A Associação de Senhoras Voluntárias do Hospital Universitário de Londrina (HU) comemora hoje seus 20 anos de fundação, completados no último dia 13, com uma missa que será celebrada pelo arcebispo dom Albano Cavallin, às 18h30, na Paróquia Sagrados Corações (Avenida Juscelino Kubtischeck esquina com a Rua Mato Grosso).
O trabalho das voluntárias começou em 1979 pelas mãos de Maria de Jesus Roedel, Cenira de Souza Gobett, Antonieta Penteada e Aida Loureiro de Carvalho, que conseguiram uma casa para atender os renais crônicos de Londrina e região que vinham fazer hemodiálise no HU e não tinham onde ficar.
O grupo de voluntárias não tinha grandes pretensões e começou trabalhando apenas nas horas de folga dos afazeres domésticos e profissionais. Mas o trabalho ganhou dimensão e hoje a vida pessoal das atuais voluntárias praticamente inexiste.
A atual presidente, Ana Célia Siqueira, 49 anos de idade, é considerada a caçulinha da turma formada por jovens senhoras com idades entre 60 e 74 anos. Apesar do peso dos anos, disposição não falta para elas, que já chegaram a hospedar 14 pessoas.
A associação, atualmente, já não recebe a mesma quantidade de pessoas, já que os hospitais da região contam com hemodiálise, explica a voluntária Assunta Storti, 66 anos, que há 16 anos faz parte do grupo. Em contrapartida, desde fevereiro do ano passado a casa passou a atender todos os setores do HU. Não atendemos apenas os renais crônicos. Nos pedem remédios, alimentos, leite especial para doentes de Aids, até perna mecânica já conseguimos, conta Zilda Telles, 72 anos, que também é voluntária há 16 anos.
Neste ano 55 pessoas passaram pela casa, como itinerantes. Cada um fica o tempo que precisa, tem gente que fica um dia, tem gente que fica 44, explica. Estas pessoas recebem café da manhã e jantar. Normalmente passam o dia todo no HU, mas se precisar tem almoço também, garante Zilda.
Ela explica que, quando a casa atendia apenas renais crônicos, a alimentação era fornecida pelo HU, por ser específica. Agora as refeições passaram a ser dadas pela associação. O trabalho é desenvolvido em conjunto com o HU. É o setor de assistência social do hospital que encaminha a pessoa para a casa de apoio. Os critérios são simples: ser carente e não ter onde ficar.
Uma vez por semana as voluntárias se reúnem para discutir os encaminhamentos necessários para atender as solicitações feitas pelo HU. Elas também promovem festas para crianças do setor de pediatria e de quimioterapia. Páscoa, Dia das Crianças, Natal e outras datas especiais não passam em branco. Mensalmente, elas enviam 20 cestas básicas para os renais crônicos do HU e bimestralmente ainda atendem a Nefroclínica, com 21 cestas básicas, e o Instituto do Rim, com 13 cestas.
Dois grande chás anuais, com bingo e exposição do artesanato que confeccionam durante o ano são a grande fonte de renda da associação. Nestas ocasiões reunimos mais de 300 pessoas na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, conta Zilda Telles. A verba que falta e o dinheiro para atender alguma emergência são conseguidos através de pequenas campanhas realizadas durante o ano.
As voluntárias contam também com doações esporádicas e a gincana do colégio Marista que todo ano envie cerca de 800 quilos de alimento. Este alimento dá para dois meses, diz Assunta Storti. O trabalho não acaba nunca. Embora nenhuma voluntária more na casa de apoio, sempre que tem algum paciente na casa elas estão prontas para atender a qualquer hora.
Jeane Batista de Oliveira, 25 anos, é a única contratada da associação e mora na casa de apoio. Outro dia a Jeane me ligou às 22 horas de um telefone público (o lugar não tem telefone), dizendo que a pessoa que estava aqui estava passando mal. Vim aqui para levá-la ao HU, lembra Ana Célia Siqueira.Associação de Senhoras do HU festeja duas décadas de trabalho em prol de pacientes de Londrina e região que não têm onde ficar
Arquivo FolhaACOMODAÇÃO E COMIDAPacientes podem permanecer no casa de apoio enquanto são atendidos no HU e recebem café da manhã e janta





