O cavalo repentinamente perdeu o humor, deu um pulo e derrubou Amada Rogado do Nascimento, 34 anos. Além da queda, a moça levou um coice e teve o pulmão perfurado por uma das costelas. Como o tratamento seria impossível nas proximidades da fazenda onde ela mora, no município de Iguatemi (MS), Amada foi transferida para o Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina.
A permanência da paciente e o marido na cidade foi possível graças a um projeto desenvolvido desde 1979, quando foi criada a Associação de Senhoras Voluntárias do HU. De lá para cá, as voluntárias da entidade mantêm uma casa de apoio para receber doentes carentes e familiares, que estão em tratamento em hospitais da cidade e não têm condições de pagar por alimentação ou alojamento.
Chamada de ‘‘Casa do Renal Crônico’’, até o final do ano passado, a casa recebia apenas pacientes com problemas renais. ‘‘Antes, a demanda era bastante grande, tínhamos até 17, 18 doentes renais dentro da casa. Mas, de cinco anos para cá, o serviço de homodiálise foi regionalizado. A cada 100 quilômetros há um aparelho de hemodiálise’’, informou Zilda Telles, tesoureira da entidade. Segundo ela, com a regionalização, diminuiu muito a vinda de pacientes renais de outras cidades para Londrina. ‘‘Por isso, desde novembro estamos recebendo qualquer tipo de paciente’’.
A primeira casa, alugada em 1979, ficava na Avenida Salgado Filho (zona leste). Depois, outra residência foi doada pelo londrinense José Eduardo Rocha Cabra. Em 1986, finalmente, a associação vendeu a antiga casa e comprou a atual, no Conjunto do Café (zona leste), mais próxima do HU. O imóvel, bastante antigo, tem três quartos, sala, cozinha, dois banheiros e capacidade para até 12 pessoas.
A atual presidente, Hezir Thomaz da Cruz, diz que manter as portas abertas é um desafio diário. Além da casa - que tem despesas com itens que vão da alimentação até produtos de higiene -, a associação ainda ajuda outros pacientes carentes na compra de remédios e cestas básicas. A estimativa é que sejam gastos R$ 1.250,00 por mês, incluindo uma funcionária recém-contratada para ajudar na casa. Fixo, a entidade recebe apenas R$ 480,00 da prefeitura. Até o mês passado eram R$ 280,00. Para contornar a falta de recursos, a associação lança mão das velhas e eficientes promoções.
Entre outras iniciativas, a cada ano são realizados pelo menos dois chás beneficentes, com sorteios de brindes. Toda a renda é revertida para o custeio da associação. O próximo chá ocorre dia 13, quinta-feira, às 14h30, na paróquia Sagrados Corações (Rua Mato Grosso, equina com a Avenidad JK). Para setembro, está programado outro chá beneficente. Há também doações espontâneas de cestas básicas, materiais de construção e contribuições financeiras. ‘‘Se cruzarmos os braços, a casa fecha’’, diz Hezir.
‘‘Ainda bem que tem a casa. Vim da fazenda e não tinha para onde ir’’, afirmou Amada do Nascimento, que caiu do cavalo no final do mês e veio para Londrina acompanhada do marido para se tratrar no HU. Como em todos os casos, a indicação foi feita pela assistência social do hospital. É a única maneira de se conseguir uma vaga na casa de apoio.
‘‘Foi uma grande ajuda’’, declarou Marleide da Silva Prestes, 21 anos, que está com o filho Felipe, recém-nascido, internado na UTI pediátrica do HU. Ela veio de Arapoti (149 km ao sul de Jacarezinho) com o marido e precisa amamentar o bebê diariamente. ‘‘Não teria onde ficar’’, declarou.

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