Voluntariado ajuda na formação do jovem
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de junho de 2011
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
A participação do jovem em programas de voluntariado é importante porque estimula o desenvolvimento da cidadania e os torna responsáveis socialmente. O professor de Psicologia Humana da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Francisco Heitor da Rosa, conta que ceder a capacidade produtiva, habilidade ou tempo para outra pessoa ocupa um espaço diferente em uma sociedade capitalista.
''Isso trabalha o valor moral e é o que ajuda a manter a coesão da sociedade'', afirma o psicólogo. Ele diz que o voluntariado é uma característica que se vê mais presente em culturas europeias e que no Brasil acabou sendo exercido por ordens religiosas. ''Esse voluntariado das igrejas possui um cunho mais assistencialista, mas o voluntariado deve ser muito mais que isso'', afirma.
Para o professor, quando um técnico em informática dedica seu tempo para dar aulas na sua área insere um trabalho de alto nível e qualificado para quem não tem condições de contratar essa mão de obra. ''Essa ação proporciona uma satisfação pessoal que ajuda a compor a felicidade e dá um sentido para a vida, pois a pessoa visualiza o bem que está fazendo'', analisa.
Eduardo Maia, 27 anos, é voluntário na Associação dos Deficientes Visuais de Londrina (Adevilon), onde ajuda a realizar tarefas administrativas e faz a leitura de documentos para a diretoria analisar. ''É a primeira vez que eu realizo serviços voluntários e não sei como não havia feito isso antes'', afirma. Ele, que trancou a matrícula do curso de Marketing e Propaganda, agora ajuda os deficientes visuais com as habilidades que adquiriu em sua formação. ''Mas aqui eu também aprendo com eles como superar as dificuldades'', observa.
Complemento
O professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pedro Shime, coordenou um programa no Hospital do Câncer, onde os jovens fizeram serviços de arrecadação, auditoria e de marketing. Além de ajudar na formação, permitiu uma compreensão mais ampla da gravidade da doença e as formas de prevenção, diz o professor. Ele explica que o trabalho é uma forma do estudante ganhar experiência sem que precise recorrer à iniciativa privada e de demonstrar que teve experiência antes de entrar no mercado de trabalho. ''Isso ajuda o jovem a se organizar e a adquirir experiência para a solução de problemas da comunidade'', conta.
A aluna do 4º ano de Ciências Contábeis, Luciana Ferraz Castro de Lima, 26 anos, atuou na arrecadação de dinheiro para o hospital. ''Para mim foi importante, pois como a gente fica somente dentro da sala de aula, ao realizarmos um trabalho social complementamos a nossa formação'', conta. ''É uma oportunidade de participar e ver para onde vai esse dinheiro, e perceber que não existe apenas o lado técnico'', conta.


