É sagrado. Todos os domingos após o almoço, a jovem Luiza Wuaden, 17, vai ao Lar Antonina, no bairro Campina do Siqueira, na Capital, para realizar um trabalho de musicalização com crianças. Mesmo com a rotina cheia, que inclui aulas em período integral no terceiro ano do Ensino Médio, curso avançado de canto durante a semana e ainda aulas de canto aos sábados, ela não troca as tardes dominicais de voluntariado para descansar ou passear no shopping, como faz a maioria das garotas com a mesma idade.
Na instituição, onde moram crianças de zero a três anos que estavam em situação de risco social e estão disponíveis para a adoção, a adolescente apresenta aos pequenos instrumentos e diferentes estilos musicais, que vão de Música Popular Brasileira à música erudita. O objetivo é proporcionar desde cedo o desenvolvimento emocional, como foi comprovado nas pesquisas que fez durante a elaboração do projeto.
Entre flautas, violões, canções, partituras e filmes musicais, o resultado vai aparecendo. O contato com a música desperta nas crianças o senso do ritmo. Muitos se destacam nas atividades com Luiza e continuam a praticar quando passam a morar com a nova família. "Com a música as pessoas ficam equilibradas, felizes, satisfeitas. Elas têm liberdade. Quero mostrar que a música é acessível e prazerosa. Se não der chance, eles podem considerar a música como algo distante", afirma
a jovem.
O projeto começou em 2007 e foi totalmente escrito por Luiza, que desde pequena é envolvida com atividades sociais. Motivada pelos pais, ela também iniciou aos dois anos de idade aulas de música, passando por corais e pelo canto lírico.
A inciativa chamou a atenção dos organizadores do Prêmio Violet Richardson, promovido pela Associação Soroptimist, que conheceram as atividades por meio de uma redação escrita na escola, no final do ano passado. "A professora pediu para escrevermos uma redação sobre nosso trabalho voluntário. Não sabia direito que prêmio era", lembra.
O projeto de Luiza foi o vencedor entre as capitais brasileiras e vai representar o País na fase internacional, competindo com 29 países. Hoje, ela será premiada com o valor de US$ 1 mil, bem como o Lar Antônia. Todo o recuso do prêmio será investido na estrutura do projeto. "As crianças formadas com uma boa base não terão dificuldades em conseguir nada. Para mim é um prazer e a obrigação de qualquer cidadão", comemora.
Para o pai de Luiza, Mário Wuaden, que antes levava a fiha para os projetos sociais e hoje é solicitado por ela, o reconhecimento do trabalho da filha é gratificante. "Fico feliz em saber que ela entendeu a educação que passamos para ela. Não tenho dúvidas, é muito importante para a vida dela e para a sociedade", afirma.

Projetos
Mesmo com tantas atividades, Luiza tem vários planos em curto prazo. Neste ano ela presta vestibular de Arquitetura na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e também está organizando a gravação de seu segundo cd com músicas do artista paranaense Bento Mossurunga.

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