É pelo desejo de fazer um sonho virar realidade que Valkiria Pereira de Almeida faz uma convocação: "preciso de voluntários". Acostumada ao papel de ajudar as pessoas desde jovem, a cozinheira londrinense se movimenta pela criação de um projeto que terá como missão mudar a vida de muitas crianças no Jardim Maravilha, bairro carente da zona sul de Londrina.
A ideia de colocar o projeto em prática começou no ano passado, quando ela criou a página Corrente do Bem, no Facebook. O espaço, criado justamente para angariar doações para famílias carentes, ganhou o apoio de centenas de pessoas, inclusive de fora de Londrina. "Comecei a ver a necessidade das pessoas a minha volta e queria fazer algo. Com a página, comecei a receber muita doação, chegava coisa em casa sem eu saber", conta. "Foi aí que vi o tanto de gente querendo ajudar."
Denominado Vila Educativa, o projeto nasce com o objetivo de oferecer oficinas ocupacionais e atividades lúdicas a pouco mais de 200 crianças de até 13 anos, que moram no Residencial Cristal, construído há três anos. "A maioria das famílias aqui tem de três a sete filhos, em muitas delas o pai está preso. Essas famílias vieram de fundos de vales, de barracos, então são bem carentes mesmo", descreve Valkiria, que é moradora do conjunto.
Os primeiros eventos já aconteceram e renderam a chegada dos primeiros voluntários. "Já temos pelo menos dez pessoas que se colocaram à disposição, mas preciso de mais. Faltam psicólogos, pedagogos, e outras pessoas que possam oferecer oficinas. A ideia é que eles possam já aprender uma profissão", ressalta a idealizadora, que pretende contar com pelo menos mais 20 colaboradores.
Também de origem humilde, Valkiria quer o apoio de voluntários para erguer as primeiras instalações do Vila Educativa e não precisar usar o salão do residencial. A ideia é construir uma sede com salas de aulas e refeitório para receber as crianças. O custo previsto é de R$ 15 mil. "Queremos começar já em janeiro", reforça. Depois de concluída a primeira etapa, a intenção é buscar apoio da prefeitura para ampliar o atendimento. "Queremos dar a eles chance de conhecer uma realidade mais humana, com oportunidades. O contato deles com as drogas é muito fácil e a ideia é mudar essa realidade. Acredito que vamos conseguir", vislumbra.
Rogério Marcelino de Oliveira é um bom exemplo de como um projeto social pode mudar o rumo de uma vida. Depois de cumprir sete meses de pena por tentativa de roubo, ele começou a prestar serviços sociais e é o primeiro voluntário do projeto. O técnico em informática vai ministrar oficinas de computação. "Por ter esse passado muito perto de drogas e bebidas, quero ajudar para não ver crianças escolhendo o caminho errado", diz.
Interessados em colaborar com a criação do Vila Educativa podem entrar em contato com Valkiria Almeida pelo telefone (43) 8476-3933 ou pelo e-mail [email protected].

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