Volume de apostas trava sistema e provoca filas nas lotéricas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de julho de 1997
Josiane Schulz Londrina 
O sonho de levar a sorte grande e ganhar o prêmio acumulado em R$ 16 milhões da MegaSena levou milhares de brasileiros às lotéricas na semana passada. O número elevado de apostas, associado à data aproximada de pagamento das contas de água e luz, acabou provocando, porém, uma sobrecarga no sistema on-line da rede lotérica da Caixa Econômica Federal, implantado no Paraná em maio. O resultado foi a demora na emissão dos recibos e a formação de filas nos estabelecimentos.
Em Londrina, a situação acabou provocando revolta nos proprietários de casas lotéricas. Estamos sentindo dificuldades desde que São Paulo entrou no sistema, mas agora o problema foi maior. Tivemos apostas que demoraram até 10 minutos para emitir o recibo, explicou o lotérico José Rubens Coser. Ele calcula que perdeu de 30% a 40% do movimento por causa do problema. Essa demora acabou gerando filas e muita gente deixou de apostar.
Para driblar o problema, Coser contou que pegou diversas apostas para processar durante a noite. Foi uma alternativa que encontrei para agilizar os trabalhos. A solução, diz o lotérico, seria repassar os recibos para os apostadores no dia seguinte. Assim eles não precisaram enfrentar filas.
O gerente de mercado da Caixa Econômica Federal de Londrina, Ruy Luiz Baroni, explicou que o sistema é novo e por isso passa por ajustes. Segundo ele, o acúmulo de apostas e pagamentos de contas realizados no última dia de apostas da semana passada foi além da capacidade da Central de Processamento. Isso gerou momentos de pico, em que a máquina trava, mas em seguida volta a operar.
Baroni disse que os técnicos da CEF e da Racimec (empresa gestora do sistema) já fizeram uma avaliação técnica e o problema está resolvido.
A CEF está promovendo reformulações na rede lotérica. Uma delas é a implantação do sistema on-line. Todas as apostas são processadas em uma central, em São Paulo. O Paraná é piloto na utilização do sistema. Com isso, as apostas podem ser feitas até uma hora antes do fechamento. Outra novidade é um convênio com a CEF, firmado no mês passado, que permite o recebimento de contas de água, luz e telefone. Isso aumentou a frequência de usuários nas lojas de loterias.
No mês passado, o Estado de São Paulo começou a operar no sistema. Isso representou aumento significativo no volume de informações da Central, explicou Baroni. Segundo ele, São Paulo é responsável por metade das apostas em jogos e loterias no Brasil. E o recebimento de tarifas, só na grande São Paulo, é muito elevado. Esses dois fatores pesaram na operacionalização do sistema, mas tudo está resolvido.
A previsão é de que até junho de 98 todo o País esteja ligado ao sistema.


